Piratini congela discussão sobre valor do apoio à Portela no Carnaval de 2026

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Foto: Arquivo Portela

Está suspensa temporariamente a discussão sobre a forma como se dará o apoio do governo do Rio Grande do Sul à Escola de Samba Portela, no Carnaval de 2026. O tema que a Portela levará à Sapucaí é uma homenagem à religiosidade, à cultura e à resistência negra no Rio Grande do Sul. O título do enredo é “O Mistério do Príncipe do Bará — A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”. 

Como ocorre sempre que uma escola de samba homenageia um Estado, o governo entra com algum tipo de apoio — financeiro ou logístico. O secretário de Comunicação, Caio Tomazeli, disse à coluna que ainda não está definido “quanto nem como o Estado aportará”

— Esse debate está congelado momentaneamente, porque nossa prioridade nesta semana é com a chuva. Quando a Portela nos comunicou a intenção de homenagear o Rio Grande do Sul, a resposta do governo não poderia ser outra. É claro que aceitamos, porque esse enredo é importante para a cultura gaúcha e para os adeptos das religiões de matriz africana, mas não temos definição sobre apoio financeiro.

O secretário promete “transparência total” em relação a valores, se a decisão do governo for de apoiar a Portela com recursos financeiros. Tomazeli lembra que esta será a quinta ou sexta vez que uma escola de samba leva o Rio Grande do Sul para a Sapucaí, mas não sabe se os governos anteriores entraram com dinheiro público ou não. 

Por mais respeitável que seja o argumento, a coluna tem uma opinião: nenhum governo deveria destinar recursos para uma escola de samba do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Recursos públicos escassos precisam ser tratados com parcimônia

O Rio Grande do Sul, que há dois anos lutava para aumentar o ICMS, hoje consegue realizar investimentos porque recebeu recursos federais na enchente do ano passado. São imensas as carências na área de saúde, por exemplo, já que o Estado não investe os 12% previstos na Constituição. Ficará muito difícil explicar o investimento num desfile ao qual a maioria dos gaúchos só poderá assistir pela TV.

Se a ideia é divulgar a cultura do Rio Grande do Sul no “maior espetáculo da terra”, o governador Eduardo Leite pode usar seu poder de articulação para convencer empresas gaúchas a investirem na Portela. Os carnavalescos, certamente, compreenderão.

Fonte: GZH 

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