De Carazinho para o mundo: quem é a influenciadora que transformou o linguajar do interior gaúcho em fenômeno digital

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Foto: Suelen Michelini / Arquivo Pessoal

Uma “catinguenta” que reúne mais de 860 mil “chinelonas” em seus vídeos desmotivacionais ou de “aprume-se comigo”: a linguagem traduz uma conversa comum no norte do Estado, mas que faz o maior sucesso nas redes sociais através da criadora de conteúdo Suelen Michelini, 28 anos.

Natural de Carazinho e formada em Estética e Cosmética, Suelen viu na simplicidade do interior o diferencial para se destacar na internet e consolidar uma base fiel de seguidores. Os vídeos caseiros e com jeito simples acumulam milhares de visualizações no TikTok e Instagram, e retratam a personalidade de uma mulher do interior gaúcho.

— Foi algo que surgiu ao natural, eu percebi ao trabalhar com pessoas de fora que o meu sotaque do Sul era algo muito marcante e comecei a colocar isso nos vídeos. Gravei primeiro sobre chimarrão, mas foi ao criar uma versão gaúcha do Crepúsculo que eu realmente viralizei — lembra Suelen

O vídeo em questão faz parte da série “Crepúsculo Gaúcho” ou “Tchepusculo”, em que Suelen traz os personagens Bella, Edward e Jacob para a realidade do interior. As gravações acumulam mais de 2 milhões de visualizações só no TikTok.

Foi a partir deles que veio a “virada de chave” na vida da influenciadora, que desde 2023 passou a dedicar a carreira exclusivamente para o perfil nas redes sociais.

— Comecei colocar minha criatividade em jogo e o pessoal foi me apoiando, ajudavam a construir os personagens e o jeito de falar comigo. Foi ali que eu vi que o que eu produzia era legal, que não precisava ser igual aos demais, que a minha identidade conseguia se comunicar com tantas pessoas.

Hoje, além das paródias com os filmes, a influenciadora também tem quadros fixos no perfil, como os “vídeos desmotivacionais” em que ela dá um “choque de realidade” nas seguidoras, as encorajando a tomar atitudes ou mudar a vida, mas, claro, do jeito dela.

— Ele é “desmotivacional” porque não é uma positividade tóxica, é a minha forma de encorajar, dar um fiapo de esperança. Hoje tenho esse quadro e o “pistolaço”, que é mais curto e chinelada, mas tudo para motivar e nos divertirmos — garante Suelen.

Catinguenta, macegas e chinelonas 

Uma das características mais marcantes do conteúdo da Suelen é, sem dúvidas, o vocabulário. As seguidoras são as “macegas” ou “chinelonas”, em analogia à planta daninha que é difícil de se livrar, e a alguém preguiçoso e desleixado — mas, segundo ela, tudo de um jeito carinhoso.

Também aparecem as tibúrcias, jaguaras e catinguentas, que virou o apelido de Suélen.

— As vezes alguém de fora pode olhar como um xingamento, mas é algo daqui, usado somente para quem se tem uma proximidade muito grande. É uma forma de demonstrar a tua amizade. Sempre tive essa relação com a minha mãe e amigas próximas, e são nelas que me inspiro para continuar trazendo palavras novas e nossas — resume.

É observando o modo de vida dos familiares e amigos que surge as ideias e inspirações para a criação de conteúdo, sempre voltado em coisas comuns, como o chimarrão enfeitado, os trejeitos ou dialetos.

Com apoio de marcas conhecidas a nível nacional, Suelen planeja para o futuro seguir na produção de conteúdo e sonha grande: quer levar a cultura do Interior para todo o Brasil.

— Eu sonho levar isso para o âmbito nacional. Penso até em uma participação em programas de TV, por que não? Pretendo estudar mais, para que siga dando certo e influenciando as pessoas para o bem, e crescendo profissionalmente.

Fonte: GZH

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