Lula comentou a jornalistas sobre a declaração de Trump, que afirmou estar aberto a baixar as tarifas sobre a pauta exportadora brasileira, dentro de certas condições.
“Acredito que vamos nos reunir, sim”, disse Trump, ainda no avião americano Air Force One, após a decolagem de Washington para Kuala Lumpur. “Sim, sob as circunstâncias certas, seguramente”, completou ao responder se considerava rever o patamar do tarifaço.
O petista comentou a expectativa sobre reunião com Trump, prevista para ocorrer neste domingo, dia 26, à tarde, no Centro de Convenções de Kuala Lumpur, um campo neutro, na Malásia. Lula chegou a dizer, na véspera, que um acordo poderia não ser atingido de imediato.
O horário reservado é a partir das 17h, no horário local, 6h da manhã no horário de Brasília. Lula e Trump devem conversar a sós, acompanhados apenas pelos intérpretes, se nada for alterado do que as equipes de cerimonial da Casa Branca e do Palácio do Planalto combinaram.
Os presidentes vão avaliar ao fim como comunicar o encontro – se haverá nota em separado, comunicado conjunto ou ainda declaração e conversa com jornalistas. Estão previstos uma foto deles reunidos e vídeos do início da conversa.
Uma das preocupações do entorno de Lula é a eventual exposição a constrangimentos, caso houvesse perguntas de jornalistas, mas interlocutores dizem esperar um tratamento cordial, como nos contatos recentes.
“Espero que role. Vim aqui com disposição que a gente possa encontrar uma solução”, afirmou Lula. “Tudo depende da conversa. Trabalho com otimismo que a gente possa encontrar uma solução.”
Aniversário e diploma
O presidente também disse que Trump poderá “comer um pedacinho do bolo” de seu aniversário de 80 anos, na segunda-feira, dia 27.
Lula deu a declaração, em tom descontraído, ao voltar de cerimônia em que recebeu título de doutor honoris causa, da Universidade Nacional da Malásia, em Desenvolvimento Internacional e Sul Global.
Na ocasião, porém, Lula voltou a criticar o tarifço e a se contrapor ao republicano, como fez nos últimos dias desde que chegou ao Sudeste Asiático.
“Tarifas não são mecanismos de coerção”, disse o petista. “Nações que não se dobraram ao colonialismo e à dicotomia da Guerra Fria não se intimidarão diante de ameaças irresponsáveis.”
Semicondutores
Antes, o presidente se reuniu com o primeiro-ministro Anwar Ibrahim, na residência oficial malásia, em Putrajaya. Os dois governos assinaram acordos de cooperação para a indústria de semicondutores, cuja cadeia de suprimentos tem o Sudeste Asiático como um hub global.
Durante discurso, Lula ouviu de Ibrahim elogios pela postura crítica ao que ambos consideram – e reiteraram – crime de genocídio de palestinos praticados por Israel na guerra em Gaza.
Deus e Nobel da Paz
Um dia depois de dizer que traficantes de drogas também são vítimas de dependentes químicos, o petista falou de improviso na recepção oficial, citou Deus e disse que governar é cuidar dos mais pobres.
A fala de Lula sobre o tráfico e o consumo de drogas, da qual ele recuou após repercussão negativa e tratou como uma gafe, foi explorada negativamente pela oposição.
“Para um governante, andar de cabeça erguida é mais importante que um Prêmio Nobel”, afirmou Lula. “Para um governante, cuidar das pessoas mais humildes é quase que uma obrigação bíblica. É um mandamento de Deus. Porque é para isso que a gente vem para governar.”
O petista criticou ainda a falta de lideranças globais. “Quem é que se conforma com a duração da guerra entre a Ucrânia e a Rússia? Quem é que pode se conformar com o genocídio impetrado na Faixa de Gaza durante tanto tempo? E não só a violência dos tiros e das guerras e das bombas, mas a violência de utilizar a fome, a vontade de comer de uma criança, como forma de torturá-las”, discorreu.7
Fonte: Estadão


















