A região da Fronteira Oeste tem enfrentado um volume significativo de chuvas que, embora não tenham afetado drasticamente a produtividade, estão comprometendo a qualidade do trigo. A situação, somada aos baixos preços de mercado, preocupa os produtores e já indica uma possível redução na área de plantio do cereal na próxima safra. A avaliação foi feita por Thomas Oleia, presidente do Sindicato Rural de São Borja, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta sexta-feira (21).
Apesar de a produtividade das lavouras de trigo estar sendo classificada como “boa” após uma recuperação no desenvolvimento vegetativo, a qualidade para panificação foi duramente atingida pelas precipitações.
Thomas Oleia destacou que o excesso de chuva, com volumes de até 70 mm registrados em um único fim de semana, afetou o grão, causando uma perda considerável no: Peso Hectolítrico (PH): Indicador essencial da qualidade do trigo, Qualidade de Panificação: A chuva causou o prejudicou do grão, impedindo que atingisse os padrões ideais.
Oleia ressaltou que, mesmo com a boa produtividade alcançada, o baixo PH desvaloriza o produto na comercialização.
“A colheita do trigo sofreu um leve atraso, mas deve ser concluída nos próximos 20 a 30 dias”. A boa notícia, segundo Thomas Oleia, é que a previsão climática aponta para tempo bom e ausência de chuvas significativas, o que deve permitir a finalização dos trabalhos.
O produtor também está finalizando a colheita da canola, de modo que as áreas de inverno logo serão liberadas para o plantio da soja de verão.
Além dos desafios climáticos, a comercialização do trigo e do arroz preocupa a região. Segundo o presidente do Sindicato Rural, os preços atuais estão abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo.
Com isso, a lavoura de trigo não se mostrou uma boa alternativa para os produtores que vinham de quatro anos de prejuízo com a soja e apostaram no cereal neste ano.
Como reflexo, muitos agricultores já sinalizam que não pretendem plantar trigo na próxima safra, optando por destinar as áreas à pastagem, à pecuária ou até mesmo deixá-las em pousio (paradas), a fim de evitar mais prejuízos.
A falta de rentabilidade do trigo e a pressão nos custos da produção já têm um impacto esperado na próxima safra de soja, que está prestes a começar na região.
Embora uma redução significativa de área não seja esperada, o produtor deve investir menos em tecnologia. Espera-se uma lavoura com: Menor uso de adubação; Menos tratos culturais.
Essa redução nos investimentos, por sua vez, deve resultar em uma menor produtividade na colheita da soja.
O presidente do sindicato reforçou a dependência da região do clima e a necessidade urgente de uma política pública que financie a irrigação e garanta um seguro agrícola eficaz para manter o produtor na atividade.
Fonte: Site SB News / Com informações do Notícias Agrícolas

















