As Nações Unidas expressaram, nesta terça-feira (6), profunda preocupação com a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, classificando a operação como uma violação de princípios fundamentais. Em coletiva de imprensa em Genebra, Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, enfatizou que nenhum Estado possui o direito de usar a força contra a integridade territorial ou a independência política de outra nação, conforme as normas globais.
A captura do presidente deposto Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, realizada no último sábado sob apoio de bombardeios em Caracas, foi justificada por Washington como uma resposta ao histórico de abusos cometidos pelo regime chavista.
No entanto, Shamdasani rejeitou o argumento, afirmando que a responsabilização por violações de direitos humanos não legitima intervenções militares unilaterais. Para a ONU, a busca por justiça deve ocorrer dentro dos marcos legais internacionais, e não por meio da força.
Riscos de militarização e agravamento da crise
Embora o Escritório do Alto Comissariado venha denunciando a deterioração democrática na Venezuela há uma década, a organização agora teme que a presença militar estrangeira piore o cenário. Segundo a porta-voz, a instabilidade gerada pela incursão dos EUA e a consequente militarização do país podem aprofundar a crise humanitária e dificultar ainda mais a proteção dos direitos fundamentais da população venezuelana.
Fonte: Correio do povo
















