O governador Eduardo Leite está insatisfeito com recentes episódios envolvendo a Brigada Militar e prepara, para os próximos dias, uma reunião de alinhamento com a cúpula da segurança pública. A informação consta na coluna da jornalista Rosane de Oliveira, que cita fontes ligadas ao governo e relata um sentimento de “irresignação” do governador diante de equívocos na atuação policial registrados no fim de 2025 e início de 2026.
Apesar de evitar declarações públicas mais duras, o chefe do Executivo gaúcho avalia que os episódios recentes acenderam um sinal de alerta em uma área que, nos últimos anos, vinha sendo uma das mais celebradas do governo, especialmente pelos resultados na redução dos índices de violência no Estado.
A sequência de casos começou com a morte de Herick Vargas, de 29 anos, atingido por disparos de policiais militares após um chamado feito pela própria mãe. Segundo informações, Herick estava em surto e já havia sido contido no momento em que foi baleado. Situação semelhante ocorreu em Santa Maria, onde Paulo Chaves, de 35 anos, também em surto, morreu durante uma ocorrência atendida por brigadianos no bairro Tancredo Neves.
O episódio de maior repercussão foi a morte do agricultor Marcos Nornberg, de 48 anos, em uma operação marcada por falhas desde a origem. Ao todo, 18 policiais militares cercaram a propriedade onde ele vivia com a família após receberem uma informação equivocada da polícia do Paraná, que apontava o local como esconderijo de uma quadrilha armada envolvida com drogas.
Ao acreditar que a propriedade estava sendo alvo de assaltantes, o agricultor tentou se defender com uma arma que mantinha em casa e acabou morto após ser atingido por diversos disparos. Além disso, a esposa da vítima, Raquel Nornberg, relatou ter sido humilhada durante a abordagem, sendo tratada como criminosa pelos policiais.
Ainda conforme a coluna, a reunião de alinhamento também deverá tratar de outro tema sensível da segurança pública: o aumento dos feminicídios e das tentativas de homicídio contra mulheres. Somente em janeiro, foram registrados dez casos consumados, número superior ao do mesmo período de 2025, que já havia sido considerado crítico.
A avaliação do governo é de que o enfrentamento desse tipo de crime exige uma atuação integrada que vai além da Secretaria da Segurança Pública, envolvendo áreas como as secretarias da Mulher, da Educação, do Trabalho, do Desenvolvimento Social e da Saúde, especialmente nas ações de prevenção, acolhimento e acompanhamento das vítimas.
Fonte: Site SB News | Com informações do GZH

















