A morte de Marlei de Fátima Froelick, de 53 anos, elevou para 11 o número de vítimas de feminicídio em 2026 no Rio Grande do Sul. A vítima havia solicitado medida protetiva de urgência, que foi negada em primeira instância, mesmo após relatar ameaças e perseguição.
Segundo a coluna da jornalista Andressa Xavier, do GZH, Marlei procurou ajuda da polícia no dia 12 de janeiro. No registro, ela informou que, após o término do relacionamento, o ex-companheiro se recusava a deixar o imóvel de propriedade dela e passou a monitorar seus deslocamentos, difundir boatos e fazer ameaças de morte contra ela e amigas.
Ainda conforme a coluna, o homem também teria exigido dinheiro para parar de insistir em uma reconciliação. Em uma das situações descritas, ao tentar sair do local, Marlei teve os pneus do carro furados para impedir a saída. Ela afirmou ainda que o ex-companheiro possuía uma arma de fogo, o que aumentava a preocupação diante das ameaças.
Mesmo com as informações, o pedido de medida protetiva não foi aceito pela Justiça em primeiro grau. Na decisão, o magistrado escreveu que se tratava de “mero descontentamento” e que havia uma disputa patrimonial fora da competência do Juizado de Violência Doméstica.
O Ministério Público recorreu, sustentando que havia risco à vida da mulher. Na terça-feira (27), o Tribunal de Justiça reformou a decisão, reconhecendo risco efetivo à integridade da vítima e deferindo as medidas protetivas.
Ainda segundo a coluna, Marlei não chegou a ser protegida porque houve falha operacional: o mandado de intimação, expedido na quarta-feira (28), foi encaminhado a um endereço incorreto, e o homem não foi notificado. A vítima foi morta nesta quinta-feira (29). O TJRS informou à coluna que o caso tramita em segredo de Justiça.
Os casos de feminicídio em 2026 no RS (até 29 de janeiro)
•4 de janeiro: Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte, 31 anos, foi morta a facadas pelo namorado em Guaíba, na Região Metropolitana.
•18 de janeiro: Josiane Natel Alves, 32 anos, foi morta a facadas na própria casa. O ex-companheiro foi preso em flagrante.
•19 de janeiro: Paula Gabriel Torres Pereira, 39 anos, foi morta numa parada de ônibus em Porto Alegre.
•20 de janeiro: Uliana Teresinha Fagundes, 59 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro em Muitos Capões, na Serra. Ela havia assinado o divórcio pela manhã.
•20 de janeiro: a adolescente Mirella dos Santos da Silva, 15 anos, foi morta em Sapucaia do Sul. O ex-namorado, de 25 anos, foi preso.
•20 de janeiro: Marinês Teresinha Schneider, 54 anos, foi morta a tiros na própria casa em Santa Rosa, no Noroeste do RS. O ex-companheiro, de 57 anos, está preso.
•23 de janeiro: Letícia Foster Rodrigues, 37 anos, foi encontrada morta em uma área de mata. O companheiro foi preso preventivamente.
•24 de janeiro: Karizele Oliveira Senna, 30 anos, foi morta a facadas em Novo Hamburgo, na Região Metropolitana. O principal suspeito é o companheiro da vítima.
•25 de janeiro: Leila Raquel Camargo Feltrin, 24 anos, foi morta a facadas em Tramandaí, no Litoral Norte. O companheiro da vítima foi preso em flagrante.
•26 de janeiro: Paula Gomes Gonhi, 44 anos, foi morta a facadas em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo. O companheiro dela está preso.
•29 de janeiro: Marlei de Fátima Froelick, 53 anos, foi morta a facadas em Novo Barreiro, no Norte do RS. O ex-companheiro é o principal suspeito.
Como pedir ajuda
Brigada Militar – 190
•Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas.
Polícia Civil
•Se a violência já aconteceu, a vítima deve procurar, preferencialmente, uma Delegacia da Mulher, onde houver, ou qualquer Delegacia de Polícia para registrar ocorrência e solicitar medidas protetivas.
•Em Porto Alegre, a Delegacia da Mulher fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Telefones: (51) 3288-2173, 3288-2327, 3288-2172 ou 197 (emergências).
Delegacia Online
•É possível registrar ocorrência pela Delegacia Online, o que também pode facilitar a solicitação de medida protetiva.
Central de Atendimento à Mulher – Disque 180 (24 horas)
•Recebe denúncias e relatos, orienta sobre direitos e serviços e encaminha atendimentos. A denúncia pode ser anônima.
Defensoria Pública – 0800-644-5556
•Atendimento e orientação sobre direitos, além de encaminhamentos.
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
•Espaços de acolhimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico.
Ministério Público do RS
•Atende em promotorias no Interior e também dispõe de canais de atendimento virtual no site da instituição.
Fonte: Site SB News | Com informações do GZH

















