Coluna de Isaac Carmo – Bicho não tem alma, mas será que vivente tem?

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Foto: Reprodução

“Bicho não tem alma, eu bem sei… mas será que vivente tem?”
Com esse verso do poema Que Diacho, eu gostava do meu cusco, de Odilom Ramos, é impossível permanecer inerte diante dos protestos que tomaram a internet após a morte do cão Orelha, em Santa Catarina.
O gaúcho, como sempre, teve ao seu costado o cusco amigo — aquele guaipeca simples, que muitas vezes carece de tudo, mas jamais abandona o dono. Companheiro de camperiada, de lida e de galpão, o cachorro está profundamente presente no imaginário e no tradicionalismo gaúcho, como parceiro fiel de vida e de andanças.
Há muito tempo, maltratar animais, sejam cães ou gatos, deixou de ser apenas um desvio moral para se tornar crime, passível de punição legal. Ainda assim, infelizmente, seguimos assistindo a atos de crueldade cometidos por pessoas que parecem lutar contra a própria humanidade ao agredir aqueles que apenas oferecem lealdade e afeto.
A morte desse cachorro trouxe à tona lembranças pessoais e profundas. Ao longo da vida, tive vários cachorros, e todos eles, após o nascimento do meu filho, criaram com ele um vínculo especial, marcado por afeto, proteção e uma cumplicidade silenciosa no olhar. Mesmo sendo ele autista, parecia que os cachorros sabiam, entendiam e cuidavam. Havia um carinho diferente, uma presença constante e atenta, quase como se fossem guardiões naturais.
Lembro com emoção do Kiko, companheiro fiel em tantos momentos, assim como da Florilda e da Lola, que também fizeram e fazem parte dessa história de cuidado e amor. Eram cães que se colocavam por perto, observavam, protegiam e transmitiam uma calma que palavras não explicam, mas o coração reconhece.
Essas lembranças também se somam às da minha infância. Recordo de um cão que adotamos em uma virada de ano, encontrado atordoado pelo barulho das bombas de natal, que carinhosamente demos o nome de Presente, em referência a um presente de natal. Viveu com nossa família por mais de 17 anos, sempre junto, sempre fiel. Desde então, aprendi que cuidar de um cachorro é um exercício diário de amor, respeito e responsabilidade.
Quem convive com um cusco sabe: ele faz parte da rotina da casa, observa, protege, acompanha em silêncio e nunca abandona. O carinho e a dedicação desses animais ao ser humano transcendem a simples amizade. Não é à toa que existe aquele velho dito popular — em tom de piada, mas cheio de verdade — sobre colocar o cachorro e a esposa no porta-malas e depois observar quem demonstra alegria ao ser libertado. A brincadeira, ainda que exagerada, ilustra a fidelidade incondicional do cão ao homem.
Quantas pinturas, poemas e histórias da vida campeira retratam o gaúcho em sua lida diária ao lado do velho parceiro de quatro patas? O cachorro de galpão, de estrada, de vida.
Que a morte do cão Orelha sirva como reflexão profunda a todos aqueles que ainda tratam animais como objetos descartáveis.
Bicho não tem alma, eu sei bem…
mas será que vivente tem?
Diacho, eu gostava do meu cusco.

Isaac Carmo Cardozo é 1°Sargento da Brigada Militar, Bacharel em Direito pela Unilassale/Canoas, Especialista em Gestão Pública pela UFSM/Santa Maria e Mestre em Políticas Públicas pela Unipampa/São Borja. Escreveu o livro: Monitoramento de Políticas Públicas de Segurança – O Programa de Resistência às drogas e a violência (Proerd) no Município de São Borja. Tradicionalista, é Coordenador da Invernada Especial do Centro Nativista Boitatá. Historiador e pesquisador e apaixonado pela cultura do Rio Grande do Sul.

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