Em uma noite de frustração para a torcida brasileira, a 98ª edição do Oscar ficou marcada pela consagração de Uma Batalha Após a Outra e pelo reconhecimento de Michael B. Jordan. O evento foi realizado no Dolby Theatre, em Los Angeles, na noite de domingo (15).
A seguir, confira alguns destaques da cerimônia.
Sem estatuetas para o Brasil
Foi uma participação recordista do Brasil no Oscar, já que o país estava representado em cinco categorias. Com O Agente Secreto, havia quatro indicações: melhor filme internacional, melhor direção de elenco, melhor ator e melhor filme.
Também havia Adolpho Veloso concorrendo na categoria de melhor fotografia por seu trabalho em Sonhos de Trem. Mas não deu. O país não recebeu nenhuma estatueta desta vez.
O grande vencedor
Foi o Oscar de Uma Batalha Após a Outra, que confirmou o favoritismo na principal categoria da noite – melhor filme. Com seis estatuetas ao todo, o longa também levou os prêmios de melhor direção, melhor direção de elenco, melhor ator coadjuvante, melhor roteiro adaptado e melhor montagem.
Piada com Timothée Chalamet
O apresentador do Oscar deste ano, Conan O’Brien, não poupou Timothée Chalamet em seu monólogo de abertura. Nas últimas semanas, o ator declarou em entrevista que ópera e balé seriam coisas datadas que não importam mais ao grande público, o que gerou repercussão negativa.
— A segurança está muito reforçada esta noite. Há preocupações com ataques das comunidades do balé e da ópera.
Em seguida, dirigiu-se a Chalamet:
— Eles só estão irritados porque você não mencionou o jazz.
Terror premiado
No primeiro prêmio da noite, Amy Madigan foi contemplada com o Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu trabalho em A Hora do Mal. No filme, ela interpreta a vilã Gladys Lilly. É raro um longa de terror ser contemplado na cerimônia. Na categoria de atriz coadjuvante, a única vez que isso ocorreu foi em 1969, com Ruth Gordon, por seu trabalho em O Bebê de Rosemary.
Pecadores, outro filme de terror, era o recordista de indicações da noite, com 16. Saiu do Dolby Theatre com quatro estatuetas: melhor ator, melhor roteiro original, melhor trilha sonora original e melhor fotografia.
A primeira diretora de fotografia
Autumn Durald Arkapaw se tornou a primeira mulher a vencer a categoria de fotografia em 98 edições do Oscar. Ela recebeu a estatueta por seu trabalho em Pecadores. Em seu discurso, pediu que todas as mulheres da plateia se levantassem:
— Eu sinto que não teria chegado até aqui sem vocês.
Empate
Não é comum, mas acontece: pode haver empate no Oscar. Na categoria de melhor curta-metragem, houve um empate entre Os Cantores e Two People Exchanging Saliva. Foi a sétima vez que o prêmio foi dividido.
A última vez que houve empate na cerimônia havia sido em 2013, na categoria de melhor edição de som. Os premiados foram Per Hallberg e Karen Baker Landers, por 007 – Operação Skyfall, e Paul N. J. Ottosson, por A Hora Mais Escura.
Primeiro norueguês
Valor Sentimental foi a primeira produção norueguesa a vencer o Oscar de melhor filme internacional. Em seu discurso, o diretor Joachim Trier afirmou que os indicados deste ano apresentaram “filmes importantes e belos que refletem as crises atuais e as crises do passado”. E acrescentou:
— Quero terminar parafraseando o maravilhoso escritor americano James Baldwin, que nos lembra que todos os adultos são responsáveis por todas as crianças e que não devemos votar em políticos que não levam isso em consideração.
Baiano no palco
Wagner Moura subiu ao palco, mas não foi para receber o Oscar. O ator baiano marcou presença durante a apresentação do prêmio de melhor direção de elenco. Naquele momento, um ator ou atriz de cada longa indicado na categoria homenageou o respectivo diretor de elenco. Para falar de Gabriel Domingues, responsável pelo elenco de O Agente Secreto, quem subiu ao palco foi Wagner.
— Gabriel Domingues teve que preencher o filme com pessoas cujos rostos parecessem pertencer àquela época. Gabriel, você conseguiu — destacou Wagner. — Você encontrou os rostos certos. Você fez isso com tanto carinho e cuidado com os papéis maiores quanto com os menores. E isso deu uma vida imensurável ao nosso filme. Você, Gabriel, usou sua técnica para moldar todo o mundo de O Agente Secreto.
Michael B. Jordan consagrado
Apesar de todo o molho, não deu para o baiano. Wagner Moura foi superado por Michael B. Jordan (Pecadores) na categoria de melhor ator. Em quase cem anos de Oscar, Jordan é apenas o sexto negro a vencer na categoria.
— Estou aqui por causa das pessoas que vieram antes de mim: Sidney Poitier, Denzel Washington, Halle Berry (vencedora do Oscar de melhor atriz, em 2002), Jamie Foxx, Forest Whitaker, Will Smith. E estar entre esses gigantes, entre esses grandes, entre meus ancestrais. Obrigado — discursou o ator.
A primeira irlandesa
Era uma das barbadas da noite: Jessie Buckley, de Hamnet, faturou o Oscar de melhor atriz. Ela se tornou a primeira irlandesa a ganhar o prêmio.
Em seu discurso, a atriz dedicou o prêmio ao Dia das Mães, celebrado na mesma data no Reino Unido:
— Gostaria de dedicar este prêmio ao belo caos do coração de uma mãe. Todas nós descendemos de uma linhagem de mulheres que continuam a criar mesmo contra todas as probabilidades.
Dívida com Paul Thomas Anderson
Desta vez, foi. O Oscar pagou uma dívida. Um dos cineastas mais celebrados de sua geração, Paul Thomas Anderson já havia sido indicado à categoria de melhor diretor em outras três ocasiões — Sangue Negro (2008), Trama Fantasma (2017) e Licorice Pizza (2022). Foi com Uma Batalha Após a Outra (2025) que finalmente chegou a estatueta para o diretor.
Esquecidos no In Memoriam
No momento em que o Oscar relembrou alguns artistas que partiram no último ano, algumas ausências foram sentidas pelo público, como James Van Der Beek, Eric Dane, Malcolm-Jamal Warner, Robert Carradine, June Lockhart e, especialmente, Brigitte Bardot.
Por outro lado, foram homenageados nomes como Rob Reiner, Diane Keaton, Catherine O’Hara e Robert Redford. O segmento levou ao palco Billy Crystal, Rachel McAdams e Barbra Streisand para realizar o tributo.
Fonte: GZH


















