Polícia acredita que crime tenha sido planejado e tem motivação financeira entre hipóteses para sumiço de família em Cachoeirinha

PUBLICIDADE

WhatsApp Image 2025-01-16 at 10.30.38
Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Uma das hipóteses investigadas pela Polícia Civil sobre o desaparecimento de uma família em Cachoeirinha, há mais de 50 dias, é de que a filha e os pais possam ter sido mortos por motivações diferentes. Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e os idosos Isail, 69, e Dalmira, 70, sumiram em janeiro.

O principal suspeito de estar por trás do desaparecimento é o ex-marido de Silvana, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, com quem ela tem um filho. A polícia suspeita de que se trate de um crime planejado. Os policiais acreditam que o o ex tenha arquitetado matar Silvana.

Testemunhas confirmaram à polícia que os dois tinham brigas frequentes. Apesar disso, nenhum registro havia sido feito pela mulher contra Cristiano. No entanto, duas semanas antes de sumir, em 9 de janeiro, Silvana compareceu ao Conselho Tutelar para registrar que o suspeito desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal. Uma das suspeitas é de que isso possa ter acirrado a relação entre eles. 

Já em relação ao casal de idosos desaparecido, além de possíveis problemas de relacionamento de Isail e Dalmira com o ex-genro, a polícia suspeita de que possa ter havido motivação financeira. 

Segundo a investigação, os dois mantinham imóveis, como o minimercado, a casa da família e um sítio. O casal costumava receber pagamentos somente em dinheiro no estabelecimento da família, o que leva à possibilidade que tivessem dinheiro armazenado em casa. Nenhuma quantia foi encontrada na moradia. 

Os policiais ainda estão mapeando todos os bens que eram mantidos pela família. São aguardados retornos para saber se eles tinham algum investimento, se havia seguros de vida em nome dos desaparecidos e quem seriam os beneficiários. Nenhuma movimentação ocorreu nas contas das vítimas após o desaparecimento.

Buscas retomadas

Desde a semana passada, vem sendo realizada uma varredura, com apoio do Corpo de Bombeiros e de dois cães farejadores, em áreas de mata de Cachoeirinha e de Gravataí. Nesta quarta-feira (18), os trabalhos serão retomados, ainda sem data para serem encerrados. 

— Através da investigação, nós delimitamos áreas de interesse, com levantamento de dados de inteligência. E nós temos, então, realizado essas buscas com o auxílio dos cães farejadores do Grupo de Resgate e Salvamento dos Bombeiros. Essas buscas se concentram especificamente em áreas alagadas e em áreas de mata — afirma o delegado regional, Anderson Spier. 

Até o momento, cerca de um terço da área mapeada pela polícia já foi vasculhada. Apesar do tempo transcorrido, segundo o delegado, a polícia acredita que as buscas podem trazer resultados. Um dos cães farejadores empregados nesta operação de buscas já localizou, em outro momento, um corpo desaparecido há mais de um ano. 

— Nós fizemos um mapeamento preliminar das áreas e agora estamos trabalhando em cima desses locais — diz o delegado. 

Veículo, imagens e perícias

A investigação aguarda ainda os laudos sobre os vestígios de sangue humano encontrados na casa de Silvana. A análise inicial apontou que se trata de sangue de um homem e de uma mulher. A polícia espera o resultado da comparação genética. 

Outro ponto que ainda precisa ser elucidado é sobre o carro vermelho, flagrado entrando no imóvel de Silvana na noite em que ela sumiu. A polícia ainda busca encontrar o Fox vermelho. Pelas imagens não é possível apontar a placa do automóvel. 

Há ainda expectativa da polícia sobre imagens que possam ter sido captadas por duas câmeras de vigilância instaladas na residência de Silvana. Os investigadores aguardam retorno do fabricante para descobrir se os arquivos foram enviados à nuvem, há cópias de segurança ou se é possível recuperar parte do conteúdo.

Caso alguma imagem tenha sido registrada, a polícia acredita que poderia encontrar pistas sobre quem estava no carro vermelho e o que aconteceu na casa de Silvana naquela noite. Uma das hipóteses é de que a mulher tenha sido morta em casa, e depois tenha tido o corpo ocultado. 

Contraponto

Durante o depoimento na Polícia Civil, Cristiano Domingues Francisco optou por permanecer em silêncio. 

O advogado Jeverson Barcellos, que representa o investigado, afirma que  “vai acompanhar o andamento das investigações, estando por seus familiares à disposição de manter a efetiva colaboração com as autoridades”. 

A defesa ainda diz que analisa os fundamentos da decisão que prorrogou a prisão do policial para eventual pedido de habeas corpus

Fonte: GZH

Mais recentes

PUBLICIDADE

WhatsApp Image 2025-12-08 at 12.04.19
Rolar para cima