O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) manifestou preocupação com a autorização do Ministério da Educação para a criação de um curso de Medicina no campus da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em Bagé. A posição foi divulgada em nota na quarta-feira (25).
No documento, a entidade classifica a decisão como “populista e contraditória” e afirma que a medida desconsidera a atual situação da saúde no município, além dos resultados recentes do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Segundo o conselho, a abertura de um curso exige uma rede estruturada, com hospitais equipados, preceptoria qualificada e campos de estágio adequados à formação acadêmica.
De acordo com o Cremers, a realidade local não atende a esses requisitos. A nota aponta que Bagé enfrenta uma crise sanitária, marcada pela falta de médicos especialistas no Sistema Único de Saúde (SUS), escassez de insumos básicos em unidades de pronto atendimento e atrasos salariais de profissionais, muitos atuando sem vínculo formal.
A entidade também questiona a qualidade da formação que pode ser oferecida em um cenário com carência de medicamentos e condições mínimas de trabalho. Ainda conforme o conselho, os resultados da primeira edição do Enamed reforçam o alerta sobre a precarização do ensino médico no país.
Para o Cremers, a ampliação de cursos não resolve os problemas da assistência à saúde no interior. A entidade defende que a solução passa pela valorização profissional, criação de planos de carreira e aumento do financiamento do SUS.
Na nota, o conselho afirma ainda que a autorização do curso na Unipampa indica a predominância de critérios políticos sobre técnicos e acadêmicos. Ao final, informa que pretende adotar medidas judiciais e extrajudiciais para tentar barrar a criação da nova graduação em Medicina no estado.
A íntegra da nota está disponível no site do Cremers.
Fonte: Site SB News


















