Lula reage aos EUA: Pix não vai mudar

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Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), reagiram, nessa quinta-feira, ao relatório produzido pelo governo dos Estados Unidos que aponta o sistema de pagamentos Pix como uma das barreiras impostas pelo Brasil ao comércio norte-americano.

Lula enfatizou que nenhum país nem “ninguém” vai alterar o funcionamento do método de pagamento instantâneo criado pelo país. “Os Estados Unidos fizeram um relatório, nesta semana, sobre o Pix, e eles disseram que distorce o comércio internacional, porque o Pix, acho que, cria problemas para a moeda deles. É importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir: o Pix é do Brasil, e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”, enfatizou. “O que nós podemos fazer é aprimorar o Pix para que, cada vez mais, ele possa atender às necessidades de mulheres e homens deste país.”

A declaração ocorreu durante visita do presidente às obras do VLT em Salvador. Ele já se encaminhava para o fim do discurso quando o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, se aproximou e disse: “Fala o negócio do Pix”.

O documento dos EUA foi publicado pelo escritório de representação comercial da Casa Branca (USTR). Nele, a gestão norte-americana aponta o que chamou de “tratamento preferencial ao Pix, que prejudica os fornecedores de serviços de pagamentos eletrônicos dos EUA”.

Na avaliação de Alckmin, as críticas de Washington não geram preocupações para o Brasil. “O Pix é um sucesso. Você tem uma coisa que o mundo inteiro hoje acompanha. Observa custo zero para o contribuinte, para o consumidor, e utilizando os meios digitais de forma impressionante. Você apertou ali já tá feito o depósito”, destacou Alckmin, nessa quinta-feira, em café da manhã com jornalistas, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Blusinhas

Além do Pix, o relatório do USTR disse que a “taxa das blusinhas”. De acordo com o USTR, o Brasil aplica uma taxa linear de 60% para todas as encomendas expressas importadas no regime de desembaraço simplificado, além de impor limites anuais para importadores.

Na entrevista dessa quinta-feira, por sinal, Alckmin foi perguntado sobre estudos para reduzir essa taxa, tendo em vista a proximidade das eleições. Disse que foi defensor da medida no passado para preservar o emprego e a renda dos brasileiros e frisou que a indústria têxtil e o setor de confecção empregam muito.

Segundo ele, mesmo com a tributação, a carga tributária ainda é “bem menor” do que a do item produzido no Brasil. “Eu não tenho participado desse debate, mas lá atrás, quando houve essa discussão, nós defendemos, porque entendemos que precisamos garantir uma lealdade concorrencial”, disse. “É a defesa do emprego e da renda”, acrescentou, ao detalhar que o produto nacional enfrenta uma carga tributária de quase 50%, enquanto o importado de até US$ 50 paga em torno de 30%.

O USTR também critica o projeto de lei que amplia os poderes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre mercados digitais. A respeito disso, o vice-presidente ressaltou que “a única regulação” feita pelo Brasil quanto a big techs foi o ECA Digital, voltado a proteger a infância.

Alckmin voltou a dizer que o Brasil não é problema para os EUA, já que eles têm superavit na balança de bens e serviços com o país. E disse que a ideia é aumentar a complementaridade e a troca de investimentos. “Nosso trabalho é aumentar esse diálogo, essa parceria, essa cooperação”, destacou. (Com Agência Estado).

Fonte: Correio Braziliense 

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