Coluna de Isacc Carmo – Mano Lima e o respeito à cultura gaúcha

PUBLICIDADE

WhatsApp Image 2025-01-16 at 10.30.38
Foto: Isacc Carmo

Nos últimos dias, uma polêmica tomou conta das redes sociais. Durante a divulgação de um evento com o cantor regionalista Mano Lima, um deputado ligado ao PT fez um comentário classificando o artista de forma ofensiva: “Tu é uma vergonha, Mano Lima, pobre fascista de extrema direita”.

Diante da repercussão negativa, o próprio deputado apagou a publicação  uma tentativa evidente de conter o dano causado por uma manifestação precipitada e carregada de hostilidade. No entanto, como já é comum na dinâmica acelerada das redes sociais, o conteúdo rapidamente se espalhou e ganhou proporções inesperadas.

O que se viu, então, foi uma avalanche de manifestações em defesa de Mano Lima. O cantor, em um primeiro momento, optou por não responder. Uma postura que pode ser interpretada como prudente: evitar dar ainda mais visibilidade a um agente político até então pouco conhecido do grande público, que, ao que tudo indica, poderia estar se beneficiando da repercussão gerada em torno do nome do artista.

Há também um ponto que chama atenção: figuras públicas da política, cuja credibilidade muitas vezes já é questionada pela população, parecem não dimensionar o peso de suas palavras ao atacar nomes ligados à cultura regional.

No caso de Mano Lima, não se trata apenas de um artista. Trata-se de alguém que representa valores profundamente enraizados na identidade do Rio Grande do Sul a vida na fronteira, o respeito às tradições, o amor à família, à natureza e à fé. Sua música vai além do entretenimento; é, sobretudo, um instrumento de preservação cultural.

Por isso, quando se ataca Mano Lima, não se atinge apenas um indivíduo, mas um conjunto de valores, uma identidade e uma história. E é justamente isso que explica a forte reação popular em sua defesa.
Não se trata aqui de assumir o papel de defensor do cantor, mas de reconhecer o direito de qualquer artista de expressar sua arte e sua visão de mundo sem ser alvo de ofensas ou tentativas de desqualificação.
Encerrando, cabe lembrar uma frase do próprio Mano Lima, dita em 2023, que sintetiza o sentimento de muitos diante da política atual e que, neste contexto, soa como resposta suficiente:

“A política tá chegando a um ponto que trocada por merda e recebendo um peido de troco tá bem paga.”

Isaac Carmo Cardozo é Tenente da Brigada Militar, Bacharel em Direito pela Unilassale/Canoas, Especialista em Gestão Pública pela UFSM/Santa Maria e Mestre em Políticas Públicas pela Unipampa/São Borja. Escreveu o livro: Monitoramento de Políticas Públicas de Segurança – O Programa de Resistência às drogas e a violência (Proerd) no Município de São Borja. Tradicionalista, é Coordenador da Invernada Especial do Centro Nativista Boitatá. Historiador e pesquisador e apaixonado pela cultura do Rio Grande do Sul.

Mais recentes

PUBLICIDADE

WhatsApp Image 2025-12-08 at 12.04.19
Rolar para cima