Coluna de Isaac Carmo – A satisfação de conhecer a escritora Nilva Maria dos Santos

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Foto: Reprodução

Tive a satisfação de conhecer a escritora Nilva Maria dos Santos, de 71 anos de idade, uma mulher que, pela sua simplicidade e humildade, me levou a compreender sua trajetória de iniciação no mundo das letras.
Ela me relatou que, na década de 1970, trabalhou em uma casa de família na capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, pertencente a uma família de sobrenome Sanfelice — embora não recorde com precisão. Seu patrão era procurador de justiça, ou exercia função semelhante. Nesse período, tinha a nobre missão de cuidar de uma menina chamada Daniela.

Daniela possuía um padrinho que dispensa apresentações: o renomado poeta, tradutor e jornalista Mário Quintana, um dos maiores expoentes da literatura brasileira do século XX, conhecido como o “poeta das coisas simples”. Sua obra se destaca pela linguagem coloquial, pelo humor, pela profundidade temática e pelo olhar sensível sobre o cotidiano.

Esse padrinho presenteou sua afilhada com o livro Pé de Pilão, orientando que a obra fosse lida para a menina. Nilva contou que deve ter lido esse livro mais de 500 vezes, tamanha era a admiração de Daniela pelas histórias de Quintana. Segundo ela, o escritor era “um homem legal, um homem simples”.
Com o passar do tempo, Nilva mudou de emprego e, na década de 1980, veio morar em São Borja. Ainda assim, manteve vivo o desejo literário, escrevendo suas próprias histórias, muitas delas inspiradas em suas vivências de infância. Continuava a preencher cadernos com poemas e poesias, guardados até hoje como verdadeiras relíquias.

Aos poucos, começou a concretizar o sonho de publicar suas obras. As experiências vividas em Porto Alegre serviram de inspiração para escrever A Festa dos Bichos, história baseada naquele período em que conheceu Mário Quintana. Também escreveu Cigarra Prateada, texto que foi adaptado para peça teatral na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em 2013, chegando inclusive a ser apresentado na Argentina.
Mesmo sem formação acadêmica elevada — tendo concluído apenas o ensino fundamental —, Nilva sempre demonstrou profundo interesse pela literatura. Em 2002, lançou, o livro O Pé de Vento, reunindo histórias infantis inspiradas em sua vivência como cuidadora e no contato com o universo literário.

Essa trajetória de vida foi reconhecida em 2023, ano da publicação do seu livro Os dois Irmãos, quando foi homenageada como escritora na 36ª Feira do Livro de São Borja. Além disso, tive a oportunidade de conhecer seu livro Poemas Crioulos, em homenagem a Aparício Silva Rillo impresso em folhas simples, mas repleto de versos ricos que exaltam esse grande escritor que adotou São Borja.

Ao ver pessoas que não desistem de seus sonhos — que, mesmo diante de limitações, seguem escrevendo suas histórias e servindo de exemplo — sinto minhas próprias forças renovadas. Isso reforça minha convicção de continuar nessa incansável missão literária: valorizar e divulgar escritores natos e adotivos que têm como objetivo maior enaltecer nossa terra, nosso chão e nossa rotina.

São essas histórias que ficam como legado para as gerações futuras, mostrando que, para chegar até onde se está, muitos trilharam caminhos semelhantes, registrando suas vivências e servindo de inspiração para todos nós.

 

Isaac Carmo Cardozo é Tenente da Brigada Militar, Bacharel em Direito pela Unilassale/Canoas, Especialista em Gestão Pública pela UFSM/Santa Maria e Mestre em Políticas Públicas pela Unipampa/São Borja. Escreveu o livro: Monitoramento de Políticas Públicas de Segurança – O Programa de Resistência às drogas e a violência (Proerd) no Município de São Borja. Tradicionalista, é Coordenador da Invernada Especial do Centro Nativista Boitatá. Historiador e pesquisador e apaixonado pela cultura do Rio Grande do Sul.

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