O técnico de enfermagem aposentado João Batista Fernandes, de 68 anos, passou 66 dias preso após ser alvo da Operação Truck Hunters, deflagrada pela Polícia Civil em setembro de 2025 contra uma organização criminosa especializada no furto de caminhões. Morador de Portão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, ele foi detido durante o cumprimento de mandados judiciais e, meses depois, teve o inquérito arquivado pela Justiça após a comprovação de que sua identificação havia sido utilizada indevidamente por terceiros.
A prisão ocorreu na madrugada de 11 de setembro de 2025. Conforme relato de Fernandes, agentes da Polícia Civil entraram na residência onde ele vive com familiares e cumpriram um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça. Na ocasião, mais de 20 pessoas foram presas durante a operação conduzida por delegacias vinculadas ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Segundo a defesa, a única ligação do aposentado com a investigação era uma fotografia de sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH), encontrada no celular de um dos investigados. O documento teria sido utilizado por integrantes da quadrilha para tentar alugar um depósito em 2023, sem o conhecimento do idoso.
Fernandes permaneceu preso por mais de dois meses, inicialmente no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp) e depois na Cadeia Pública de Porto Alegre. Em novembro, a prisão preventiva foi substituída por prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. Dias depois, o Ministério Público manifestou-se pela liberdade do investigado por falta de elementos que comprovassem sua participação nos crimes apurados.
No dia 16 de dezembro de 2025, o Ministério Público denunciou 51 pessoas investigadas na Operação Truck Hunters por organização criminosa. Fernandes não estava entre os denunciados.
A situação foi definitivamente esclarecida em 26 de maio deste ano, quando o juiz Ricardo Petry Andrade, da 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, determinou o arquivamento do inquérito em relação ao aposentado.
Em nota, o Ministério Público informou que a defesa comprovou a possibilidade de erro de identificação decorrente do uso indevido da CNH por terceiros. A tese foi acolhida após análise conjunta com a autoridade policial, motivo pelo qual Fernandes não foi denunciado e teve sua liberdade assegurada.
Apesar do arquivamento, o aposentado afirma que ainda enfrenta as consequências emocionais do período em que esteve preso. A defesa informou que pretende ajuizar ação indenizatória contra o Estado pelos prejuízos causados pela prisão considerada injusta.
Fonte: G1


















