A postura adotada por Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) nos primeiros grandes debates da campanha ao governo do Rio Grande do Sul tem chamado atenção no cenário político gaúcho. Embora estejam em lados opostos do espectro político, os dois candidatos que atualmente aparecem à frente nas pesquisas têm evitado confrontos mais duros entre si e direcionado parte importante das críticas aos concorrentes que disputam espaço fora da polarização.
Na mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada em 30 de julho, Juliana aparece com 24% das intenções de voto, enquanto Zucco soma 22%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados na liderança da corrida pelo Palácio Piratini.
Politicamente, porém, as candidaturas representam campos bastante distintos. Juliana lidera uma aliança que reúne PDT e partidos ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto Zucco é um dos principais nomes do campo político ligado ao bolsonarismo no Rio Grande do Sul.
Apesar dessa distância ideológica, o confronto direto entre os dois tem sido bem mais moderado do que poderia se esperar de candidatos posicionados em polos adversários.
Movimento ficou evidente no debate da Gaúcha
No debate realizado pela Rádio Gaúcha na última quinta-feira (6), Juliana Brizola, Luciano Zucco, Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB) ficaram frente a frente durante cerca de duas horas.
A estratégia adotada por Juliana e Zucco chamou atenção inclusive na análise política da própria GZH. A colunista Rosane de Oliveira avaliou que os dois trabalharam para isolar Gabriel Souza, representante da atual gestão estadual, evitando escolhê-lo para determinados confrontos e deixando que o vice-governador enfrentasse principalmente Marcelo Maranata.
Segundo a análise, Juliana e Zucco demonstrariam preferência por enfrentar um ao outro em um eventual segundo turno. Nesse cenário, preservar momentaneamente o adversário situado no polo oposto e concentrar esforços sobre candidaturas de centro pode ser eleitoralmente vantajoso para ambos.
Isso não significa, entretanto, que exista um acordo formal entre as duas campanhas. Até o momento, não há comprovação pública de qualquer combinação nesse sentido. O que existe é uma leitura política sobre o comportamento observado nos debates e sobre os interesses eleitorais das duas candidaturas.
Na Band, novo encontro entre os quatro candidatos
A movimentação voltou a ser observada no debate promovido pela Band na noite deste domingo (9). Juliana, Zucco, Gabriel e Maranata novamente apresentaram propostas, responderam questionamentos e protagonizaram discussões sobre temas como saúde, educação, enchentes e administração estadual.
Embora tenha havido provocações entre os participantes, a disputa também mostrou pontos em que candidatos de campos políticos diferentes apresentam posições menos distantes do que o discurso ideológico nacional poderia sugerir.
Programas implantados durante a gestão de Eduardo Leite, por exemplo, entraram no debate. Entre eles estão iniciativas como SUS Gaúcho, Devolve ICMS e Todo Jovem na Escola. Zucco já afirmou publicamente que pretende preservar algumas políticas consideradas positivas da atual administração.
A matemática do segundo turno
A explicação para a aparente trégua entre Juliana e Zucco pode estar menos na afinidade política e mais na matemática eleitoral.
Com os dois liderando as pesquisas, um segundo turno entre esquerda e direita criaria uma disputa marcada pela polarização nacional. Nesse cenário, cada candidato poderia tentar crescer não apenas pela própria base eleitoral, mas também explorando a rejeição ao adversário.
Para que esse confronto aconteça, porém, candidaturas competitivas posicionadas mais ao centro precisam permanecer atrás no primeiro turno.
Gabriel Souza, atual vice-governador, tenta se apresentar como continuidade de parte das ações do governo Eduardo Leite, enquanto Marcelo Maranata busca construir uma alternativa própria pelo PSDB. No debate da Gaúcha, as maiores cobranças acabaram direcionadas justamente à atual gestão, representada por Gabriel.
O comportamento de Juliana e Zucco, portanto, alimenta uma das discussões que devem acompanhar a campanha gaúcha até outubro: até que ponto adversários ideológicos podem se preservar durante o primeiro turno por conveniência eleitoral?
Não há, até agora, evidência de uma aliança entre PDT e PL ou de um acordo formal entre as campanhas. Mas a sintonia tática percebida nos debates já colocou a relação entre os dois líderes das pesquisas no centro da análise política da disputa pelo governo do Rio Grande do Sul.
Fonte: SB News | Com informações do Obairista


















