Operação investiga suspeita de desvio de mais de R$ 5 milhões da Santa Casa de Uruguaiana

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Foto: MPRS - Divulgação

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (7), a Operação Ouro de Tolo, que investiga suspeitas de desvios superiores a R$ 5 milhões na Santa Casa de Caridade de Uruguaiana, na Fronteira Oeste. A ofensiva cumpriu 25 mandados de busca e apreensão e integra uma investigação sobre possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade documental e organização criminosa.

Ao todo, 37 medidas judiciais foram cumpridas em 11 cidades de seis Estados. Além de Uruguaiana e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, as diligências ocorreram em Balneário Camboriú (SC), Curitiba, Almirante Tamandaré e Colombo (PR), Goiânia (GO), São Paulo, Barueri e Santana de Parnaíba (SP) e Ponta Porã (MS). Cerca de 100 agentes participaram da operação.

A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e tem como alvos gestores, administradores, empresários e empresas que mantiveram vínculos contratuais com a Santa Casa. São investigadas 11 pessoas físicas, entre elas ex-secretários. Conforme o Ministério Público, não há investigados da atual gestão do Executivo municipal.

As suspeitas se concentram principalmente em contratos e pagamentos realizados entre 2019 e 2024. O Ministério Público apura possível superfaturamento de contratos, pagamentos irregulares, conflitos de interesse e indícios de destruição ou ocultação de informações importantes para a fiscalização dos recursos administrados pelo hospital.

Um dos dados que chamou a atenção dos investigadores foi o crescimento das despesas com serviços de terceiros. Segundo análises técnicas, os gastos passaram de R$ 3 milhões em 2019 para R$ 13,7 milhões em 2024, aumento de 356%. No mesmo período, as despesas com honorários médicos cresceram 165%.

A investigação está dividida em três frentes. Uma delas analisa contratos de consultoria e tecnologia firmados entre 2023 e 2024, que, juntos, ultrapassaram R$ 5 milhões. O GAECO busca esclarecer se os serviços eram necessários, se foram efetivamente executados e se os valores pagos correspondiam aos trabalhos realizados.

Outra frente apura possíveis conflitos de interesse envolvendo empresas contratadas pela Santa Casa que teriam ligação com pessoas que participavam da gestão do hospital ou exerciam influência sobre decisões administrativas e financeiras. A terceira linha investiga contratos de prestação de serviços médicos, verificando se os atendimentos informados foram realmente realizados e se os pagamentos eram compatíveis com escalas e serviços prestados.

Durante as buscas desta quarta-feira, foram recolhidos documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais. O objetivo é reconstituir os fluxos financeiros, administrativos e contratuais da instituição e aprofundar a apuração sobre o destino dos recursos.

A Santa Casa de Uruguaiana tem importância regional e atende pacientes de diferentes municípios da Fronteira Oeste. A investigação segue em andamento e, nesta fase, trata de suspeitas que ainda deverão ser comprovadas ao longo da apuração.

Fonte: SB News 

 

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