Os democratas conquistaram a maioria dos votos no Senado e na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, conforme os resultados parciais das eleições de meio de mandato divulgados nesta quarta-feira (4). O resultado representa uma derrota para o presidente Donald Trump, do Partido Republicano, e pode alterar o equilíbrio de forças políticas em Washington a partir de janeiro, quando os novos parlamentares assumirem os cargos.
Mais de 60 milhões de cédulas já haviam sido contabilizadas até o momento, segundo informações do Election Lab, da Universidade da Flórida. O levantamento ainda não havia consolidado o total de votos. A expressiva participação antecipada já é considerada recorde no país, onde o voto não é obrigatório.
Confira o resultado parcial:
Senado
- Democratas: 54
- Republicanos: 44
- Aguardando resultado: 2
Câmara dos Representantes
- Democratas: 228
- Republicanos: 139
- Aguardando resultado: 68
Segundo projeções divulgadas pela Agence France-Presse (AFP), a eleição também registra marcos históricos. A democrata Keisha Bottoms foi eleita governadora da Geórgia e se tornou a primeira mulher negra a ocupar o cargo nos Estados Unidos.
Na Califórnia, o democrata Xavier Becerra derrotou o republicano Steve Hilton, candidato apoiado por Trump, e conquistou o governo estadual. Filho de imigrantes mexicanos, Becerra se tornou o primeiro latino eleito governador da Califórnia.
Outro resultado histórico foi a eleição do democrata Chris Pappas para o Senado. Ele será o primeiro homem abertamente gay a ocupar uma cadeira na Casa.
Vitória democrata altera equilíbrio de poder em Washington
A conquista das duas casas legislativas representa um obstáculo à agenda de Donald Trump na segunda metade do mandato. Com o controle do Congresso a partir de janeiro, os democratas terão condições de interferir nas prioridades do governo, nas decisões sobre o orçamento federal e na aprovação de indicações para cargos estratégicos.
A mudança é especialmente significativa no Senado, onde os republicanos detinham a maioria. Para assumir o controle da Casa, os democratas precisavam conquistar quatro cadeiras adicionais. Dos 100 assentos do Senado, 35 estiveram em disputa neste ano. Na Câmara dos Representantes, os 435 integrantes são eleitos a cada dois anos.
Entre as primeiras iniciativas anunciadas pela oposição está a revisão de políticas implementadas por Trump desde seu retorno à Casa Branca, em 2025. O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, pretende concentrar esforços na redução do custo de vida, incluindo a reversão dos cortes no Medicaid, programa de assistência médica destinado à população de baixa renda.
Jeffries também defende a suspensão das tarifas comerciais impostas pelo presidente sem autorização legislativa e o encerramento da guerra contra o Irã, que tem elevado os custos dos combustíveis. Segundo o democrata, cabe ao Congresso exercer sua prerrogativa constitucional sobre declarações de guerra. A intenção é levar essas propostas à discussão nas primeiras 100 horas da nova legislatura.
Outro ponto de tensão deverá ser a fiscalização do Executivo. Com a nova maioria, os democratas poderão instalar comissões de investigação, convocar autoridades e exigir documentos relacionados a possíveis irregularidades envolvendo integrantes da administração republicana e pessoas próximas ao presidente.
Entre as autoridades que poderão ser alvo de questionamentos estão o secretário de Defesa, Pete Hegseth, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent. Para Ross Baker, professor de Ciência Política da Universidade Rutgers, o novo cenário deverá ampliar a pressão sobre integrantes do primeiro escalão do governo.
Embora as investigações possam resultar em processos de impeachment, a possibilidade de destituição de Trump é considerada remota. O presidente já enfrentou duas tentativas durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, e os líderes democratas demonstram cautela diante de uma terceira iniciativa.
Além da aprovação na Câmara, uma eventual condenação dependeria do apoio de dois terços dos senadores presentes.
O controle do Senado também permitirá à oposição barrar indicações presidenciais para cargos importantes do governo e do Judiciário federal. A prerrogativa poderá ter peso especialmente em caso de abertura de uma vaga na Suprema Corte, já que a nomeação de um novo magistrado depende da aprovação dos senadores.
Apesar da derrota eleitoral, Trump continuará dispondo de instrumentos para manter parte de sua agenda. O presidente poderá vetar projetos aprovados pelo Congresso. Para derrubar um veto, porém, será necessário o apoio de dois terços dos integrantes das duas casas legislativas, percentual que os democratas não possuem.
Diante da possibilidade de enfrentar um Legislativo controlado pela oposição, Trump já havia manifestado disposição para assumir o papel de “Senhor Veto”. O republicano também poderá continuar recorrendo a decretos e exercendo as atribuições próprias do Executivo, especialmente na área migratória, uma das mais controversas de seu governo.
Participação eleitoral e desgaste de Trump
A participação dos eleitores também contribuiu para o desempenho democrata. Antes mesmo da votação presencial de terça-feira, mais de 61,7 milhões de cédulas haviam sido enviadas antecipadamente, conforme dados do Election Lab, da Universidade da Flórida.
Nos Estados Unidos, os eleitores podem votar presencialmente ou antecipar a participação por meio do correio. A segunda modalidade costuma ser mais utilizada pelos democratas, que foram beneficiados pela mobilização de segmentos importantes de seu eleitorado.
Levantamento divulgado pela Rádio Pública Nacional apontou participação expressiva de jovens e eleitores afro-americanos, grupos que tradicionalmente apresentam maior proximidade com o Partido Democrata.
Fonte: SB News | Com informações do Correio Braziliense

















