“Chorou e disse que ia terminar a relação”, conta pai sobre conversa com jovem morta pela companheira em Ijuí

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Foto: Olmiro Vieira / Arquivo pessoal

Determinada, focada e dedicada ao que fazia. É assim que Olmiro Vieira Filho descreve a filha, Miriane Lacerda Vieira, 24 anos, vítima de feminicídio em Ijuí, no noroeste do Estado. O caso aconteceu na tarde de segunda-feira (23), quando a mulher foi morta com golpes de faca pela companheira.

Em meio ao luto, o pai prefere guardar a imagem de uma jovem que buscava ser sempre melhor.

— Ela era determinada, trabalhava pra competir, queria ser a melhor em tudo o que fazia. Era assim desde criança, na aula, no esporte, no trabalho — lembra com carinho.

Natural de Arroio do Tigre e criada em Lagoão, no Vale do Rio Pardo, Miriane se mudou para Soledade aos 18 anos, quando foi trabalhar com a tia na venda de cosméticos. Na cidade do norte gaúcho, também atuou com mineração.

— A principal lembrança que eu vou ter dela é de quando comecei a ensinar a se desenvolver na estrada. De quando começou a trabalhar comigo na área da mineração em Soledade, viajando e analisando minerais como ágatas e ametistas — disse o pai sobre os ensinamentos compartilhados.

Relacionamento desgastado

A distância da família, segundo Olmiro Vieira Filho, passou a ser maior nos últimos meses. Há cerca de meio ano, Miriane se mudou para Ijuí, onde morava com a companheira que havia conhecido pela internet. 

Ainda conforme o pai, o relacionamento foi desgastado por ameaças constantes e pedidos de afastamento da família. A companheira de Miriane teria ameaçado matá-la em diferentes ocasiões.

Dias antes do crime, Olmiro passou a tarde em Passo Fundo com Miriane e sua irmã gêmea, Mirian. O passeio foi marcado por conversas sobre mudanças de vida e também sobre o relacionamento. 

— A gente passou o domingo junto. Nós brincamos, andamos de karte ela tinha falado que tudo foi maravilhoso. Quando chegamos em casa, chorou um pouco e disse que ia terminar a relação porque tava sufocante. A guria (companheira) fazia muita pressão e chantagem — contou.

Olmiro Vieira / Arquivo pessoal
Dias antes do crime, família havia passado o final de semana em Passo Fundo, onde andaram de kart.Olmiro Vieira / Arquivo pessoal

Antes de morrer, Miriane disse ao pai que faria as malas assim que chegasse em Ijuí. Preocupado com a situação, ele orientou a filha:

— Eu disse pra ela que, se chegasse em casa e tivesse algum tipo de hostilidade, não arrumasse as malas, que não revidasse nenhuma provocação e que saísse de casa para ir trabalhar. Falei pra ela que, se precisasse, era pra me ligar e a gente buscava ela. Foi o último contato que tivemos.

Relembre o caso

Tamires Hanke / Grupo RBS
Crime aconteceu no no bairro São Geraldo.Tamires Hanke / Grupo RBS

Miriane Lacerda Vieira foi morta dentro da casa onde morava com a companheira. O caso é investigado pela Delegacia da Mulher de Ijuí como feminicídio. 

A autora do crime, de 29 anos, teria tentado contra a própria vida depois do ataque e foi encaminhada ao Hospital de Clínicas de Ijuí (HCI). Após passar por cirurgia, ela foi presa em flagrante e está sob custódia da polícia.

Segundo a Polícia Civil, não havia registro anterior de ocorrência de violência ou medida protetiva envolvendo o casal. O inquérito está em fase inicial e, nos próximos dias, testemunhas devem ser ouvidas. 

Miriane está sendo velada no CTG Porteira da Amizade, em Lagoão. O sepultamento será a partir das 15h, no Cemitério de Lagoão.

Fonte: GZH 

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