Coluna de Isaac Carmo – Não deixe para amanhã o último chimarrão

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Jornalista Luciano Resmini ao lado de sua vó ja falecida - Foto: Luciano Resmini

Quando chega o final de ano, chegam também os momentos de reflexão e as lembranças do passado. E comigo não é diferente. Neste mês, tive a dor de perder dois amigos próximos, pessoas que fizeram parte da minha vida.

E é justamente aí que quero chegar com este texto: nas oportunidades que temos — e muitas vezes deixamos passar — de abraçar as pessoas que amamos. Quantas vezes empurramos sentimentos e gestos para o amanhã?
“Amanhã eu falo contigo.”
“Amanhã eu ligo.”
“Amanhã faço uma chamada de vídeo.”
“Amanhã mando uma mensagem.”

Assim, colocamos para depois pessoas que foram — e ainda são — parte da nossa história. E, quando a ausência chega, somos invadidos por lembranças: os momentos felizes que vivemos juntos e também aqueles que poderíamos ter vivido, mas não vivemos porque deixamos tudo para o amanhã. A vida, com suas grandes preocupações, nos atropela, e nem sempre sabemos como nos portar diante dela. Acabamos adiando exatamente aquilo que mais importa: estar com quem é especial.

No podcast deste sábado, em que entrevistei o amigo e músico Vantuir Cáceres, isso ficou ainda mais evidente. Em uma conversa profunda, ele relatou sua trajetória de vida e a origem da música “O Primeiro e o Último Mate”, que conta a história do primeiro chimarrão que tomou das mãos de seu saudoso avô até o último compartilhado com ele, já em um leito de hospital.

Dessa reflexão, Cáceres trouxe algo simples e poderoso: às vezes precisamos deixar de lado as redes sociais e tudo aquilo que é passageiro para viver um último gesto — talvez um mate, talvez um abraço. Pode ser a última cuia que alcançamos a alguém. Pode ser a última cuia que recebemos das mãos de quem faz parte da nossa vida. Pode ser o último abraço, a última vez que dizemos: “tu és importante”, “tu tens valor”, “eu te amo”.

Essa reflexão nos mostra que, embora vivamos dias atarefados, conturbados e tomados pela tecnologia, precisamos parar. Precisamos olhar ao redor e valorizar as pessoas que fizeram — e ainda fazem — parte da nossa caminhada. O mundo gira rápido demais, e estamos passando uns pelos outros sem criar vínculos. E esses vínculos são essenciais para que a gente consiga seguir em frente.

No final do ano, as lembranças invadem nossas mentes. É tempo de retrospectiva: do que fizemos e, principalmente, do que deixamos de fazer. Mas, para aqueles que ainda têm tempo, o convite é simples e urgente: procurem quem vocês amam. Mandem uma mensagem no WhatsApp, no Instagram. Façam uma chamada de vídeo. Vão até a casa dessas pessoas. Deem um abraço apertado. Tomem algumas cuias de mate Percorram distâncias para dizer, olho no olho, aquilo que importa.

Não percam tempo. Não deixem para amanhã o que vocês podem fazer hoje. Não esperem o início de um novo ano para mudar. Ainda estamos em 2025, e ainda dá tempo. Dá tempo de ser responsável por essa mudança e entrar em 2026 com uma nova forma de viver: valorizando as pessoas que passaram pela nossa vida e não permitindo que elas caiam no esquecimento.

Isaac Carmo Cardozo é 1°Sargento da Brigada Militar, Bacharel em Direito pela Unilassale/Canoas, Especialista em Gestão Pública pela UFSM/Santa Maria e Mestre em Políticas Públicas pela Unipampa/São Borja. Escreveu o livro: Monitoramento de Políticas Públicas de Segurança – O Programa de Resistência às drogas e a violência (Proerd) no Município de São Borja. Tradicionalista, é Coordenador da Invernada Especial do Centro Nativista Boitatá. Historiador e pesquisador e apaixonado pela cultura do Rio Grande do Sul.

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