Coluna de Isacc Carmo – Entre Linhas e Tradições: A Arte de Dona Adélia Dubal

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Foto: Reprodução

Entre cones de linha de overlock, carretéis de costura, tubos de linha, tecidos, tesouras e a inseparável máquina de costura, Dona Adélia Dubal segue sua rotina de ajustes, criações e confecções. Em nossa conversa, relatou que sequer consegue dimensionar quantas pessoas atendeu ao longo de sua vida dedicada ao corte e costura.
Contudo, o que mais nos chama atenção é sua contribuição na confecção da indumentária gaúcha, especialmente dos vestidos de prenda. No período em que residia em São Borja, costurava para praticamente todas as entidades tradicionalistas. Recorda com carinho do Centro Nativista Boitatá, do CFTG Farroupilha e do CTG Tropilha Crioula, cujas invernadas e prendas vestiam, com orgulho, suas verdadeiras obras de arte.

E por que obras de arte? Porque era ela quem desenhava e confeccionava cada vestido. Peças únicas, disputadas em concursos regionais e estaduais, tanto individuais quanto coletivos. Embora também confeccionasse indumentária masculina, sua excelência na criação de vestidos de prenda sempre se destacava de forma singular.
Seu ofício iniciou aos 16 anos de idade. O primeiro vestido de prenda foi confeccionado para a inauguração do Centro Nativista Boitatá. Posteriormente, passou a desenhar e produzir vestidos para a loja Pampeana, tradicional estabelecimento que já não existe mais em São Borja.

Guarda com emoção a homenagem recebida na gestão do patrão Lúcio Bender, durante um Chá das Patroas, ocasião em que foi realizado um desfile com vestidos por ela desenhados e confeccionados  momento de grande orgulho e reconhecimento.

Relata que, em períodos de dificuldade pessoal, encontrava na costura e no desenho uma forma de acalmar a alma. Chegava a apresentar três propostas de desenho aos coordenadores, para que escolhessem. Recorda, com satisfação, que todos os vestidos criados para concursos individuais alcançaram alguma premiação.

Também era ousada: apostava em cores exuberantes e tecidos sofisticados, como cetim, tafetá, renda, renda guipir, veludo alemão — materiais que conferiam luxo às peças e, consequentemente, elevavam seus custos. Ainda assim, muitas clientes aceitavam o desafio, confiando em seu talento e inovação.

Além dos vestidos de prenda, desenhou e confeccionou trajes para concursos de Miss, Garota Verão e Miss Broto Rio Grande do Sul, deixando sua marca na história social são-borjense.

Hoje, continua exercendo o ofício, em São Francisco de Assis, embora não com a mesma intensidade de outrora. Ainda é procurada por quem deseja algo exclusivo um desenho especial, um corte diferenciado, uma criação assinada por Adélia Dubal. Há orgulho em afirmar que determinado vestido foi feito por ela.

A importância de personagens como Dona Adélia para o Movimento Tradicionalista é imensurável. São pessoas que agregam valor à cultura, demonstrando que é possível viver dela, com dignidade e criatividade. Dona Adélia representa inovação, sensibilidade e dedicação na construção dos vestidos de prenda em São Borja. Representa a certeza de que nossa cultura permanecerá viva nos traços, nos desenhos e nas histórias que ajudou a construir nos concursos internos e coletivos das entidades tradicionalistas.

 

Isaac Carmo Cardozo é 1°Sargento da Brigada Militar, Bacharel em Direito pela Unilassale/Canoas, Especialista em Gestão Pública pela UFSM/Santa Maria e Mestre em Políticas Públicas pela Unipampa/São Borja. Escreveu o livro: Monitoramento de Políticas Públicas de Segurança – O Programa de Resistência às drogas e a violência (Proerd) no Município de São Borja. Tradicionalista, é Coordenador da Invernada Especial do Centro Nativista Boitatá. Historiador e pesquisador e apaixonado pela cultura do Rio Grande do Sul.

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