Por Issac Carmo – Colunista
Juntamente com o senhor Israel Lopes, estamos garimpando a história da origem dos quatro primeiros CTGs de São Borja. Uma figura central nessa pesquisa é Pedro Caldeira. Em uma das visitas que realizamos, tivemos a grata honra de sermos recebidos por Paulo Dubal da Silva, sobrinho de Pedro Caldeira, que nos relatou momentos importantes e respondeu perguntas essenciais para a obra que estamos construindo.
Entre tantas conversas, lembranças, risadas e saudades, chamou-me a atenção uma parede da casa do seu Paulo: ela estava povoada de retratos. Fotografias que contam histórias de épocas, de familiares e de pessoas queridas — tempos que não voltam mais. Enquanto no som tocava uma música de Sarita Mitral, fiquei refletindo sobre aquilo.
Observei que muitas pessoas mais antigas têm suas salas, quartos ou corredores repletos de retratos: dos pais, avós, filhos, netos e de momentos especiais. Frente às construções atuais, marcadas pela modernidade, essa prática tem sido deixada de lado, considerada ultrapassada pela arquitetura e decoração das casas mais sofisticadas. Mas os antigos ainda carregam essa característica belíssima: preservar o passado.
Entrar em um ambiente assim é revisitar memórias. É justo e é belo honrar aqueles que nos antecederam. As paredes, cheias de furos e de imagens penduradas, retratam vidas inteiras. São lembranças e tempos que só retornam na memória daqueles que viveram e compartilharam esses momentos.
Acredito que muitas gerações futuras talvez não verão tantas paredes repletas de retratos de antepassados. Mas a nossa geração — que cresceu e conviveu com essas fotografias nas casas de nossos pais e avós — jamais esquecerá essa maneira carinhosa e sincera de homenagear quem veio antes de nós.
Isaac Carmo Cardozo é 1°Sargento da Brigada Militar, Bacharel em Direito pela Unilassale/Canoas, Especialista em Gestão Pública pela UFSM/Santa Maria e Mestre em Políticas Públicas pela Unipampa/São Borja. Escreveu o livro: Monitoramento de Políticas Públicas de Segurança – O Programa de Resistência às drogas e a violência (Proerd) no Município de São Borja. Tradicionalista, é Coordenador da Invernada Especial do Centro Nativista Boitatá. Historiador e pesquisador e apaixonado pela cultura do Rio Grande do Sul.

















