A Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Camaquã, responsável também pelos atendimentos em Arambaré e Chuvisca, enfrenta um cenário crítico de falta de efetivo, conforme denúncia do sindicato Ugeirm/RS (Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Rio Grande do Sul). Atualmente, apenas nove policiais civis atuam na unidade, que atende uma população de cerca de 70 mil habitantes e registra, em média, quase 600 ocorrências por mês.
Além da alta demanda, os agentes também precisam conduzir investigações relacionadas ao crime organizado, já que a região não conta com uma unidade da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Segundo o vice-presidente da Ugeirm, Fábio Castro, a situação não é isolada e reflete um problema estrutural em todo o Estado. “A falta de efetivo está presente em praticamente todas as unidades policiais do Rio Grande do Sul, levando à sobrecarga de trabalho e ao adoecimento dos agentes”, afirma.
De acordo com o sindicato, o cenário é agravado pelo alto número de saídas da instituição. Somente em 2025, 45 policiais civis deixaram a corporação. Entre 2019 e 2025, foram 1.330 servidores a menos, resultado de aposentadorias e exonerações. A entidade atribui o quadro à falta de valorização da carreira e ao arrocho salarial promovido pelo governo estadual.
Na avaliação da Ugeirm, a estrutura da delegacia de Camaquã já opera em colapso, com dificuldades para dar conta das demandas investigativas e administrativas. O sindicato também alerta para a baixa procura no concurso da Polícia Civil, o que pode impedir a reposição adequada do efetivo. “Mesmo com novos agentes, a tendência é de continuidade na defasagem”, diz Castro.
Diante do cenário, a Ugeirm encaminhou ofício ao governo do Estado solicitando a revisão da cláusula de barreira do concurso vigente, como forma de ampliar o número de nomeações. O sindicato defende medidas urgentes de valorização da categoria e reforço no efetivo. “Se o cenário não mudar, caminharemos para um colapso da segurança pública no Rio Grande do Sul”, conclui o vice-presidente.
Fonte: Site SB News | Com informações do Sindicato


















