Eduardo Leite apresenta estudo técnico do Estado que analisa efeitos positivos de free shops na atividade econômica na fronteira

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Leite disse que estudo é uma ferramenta fundamental para a política de incentivo ao turismo de compras na região - Foto: Vitor Rosa/Secom

O governador Eduardo Leite apresentou nesta quinta-feira, 11/12, em Uruguaiana, a primeira etapa do estudo sobre a atividade das Lojas Francas de Fronteira Terrestre (LFFT), com foco nesse município da Fronteira Oeste, hoje responsável pela maior movimentação do setor no país. O levantamento reúne informações sobre vendas, origem dos consumidores, dinâmica do comércio e impactos sobre o emprego e os serviços, com base em dados de 2019 a 2025.

O estudo, elaborado pela Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), por meio do Departamento de Economia e Estatística (DEE), evidencia que a política de lojas francas integra a estratégia de desenvolvimento das cidades gêmeas de fronteira, que funcionam como pontos de conexão com países do Mercosul. 

O governador disse que o estudo é uma ferramenta fundamental para defender a política de incentivo ao turismo de compras, que gera empregos e desenvolvimento para a região. “Demonstrou um impacto muito positivo das lojas francas como estímulo ao comércio e turismo nas cidades gêmeas, atraindo cada vez mais turistas e compradores, com valor médio das compras subindo. Os empregos formais ligados ao comércio cresceram 25% entre 2020 e 2025. Não só as lojas francas abrem novas vagas, mas também todo o entorno, como o setor de alimentação e hospedagem que são impulsionados”, enfatizou Leite. 

A titular da SPGG, Danielle Calazans, destacou a relevância econômica e o desenvolvimento regional do turismo de compras. “Os free shops ajudam a impulsionar o comércio da fronteira e ampliam o turismo de compras. Uruguaiana demonstra o potencial desse modelo ao atrair consumidores e fortalecer a economia local”, afirmou. 

Foto tirada dentro da loja, mostrando prateleiras com perfumes e eletrônicos à esquerda. No centro, dois homens conversam de frente um para o outro. À direita, uma fotógrafa segura uma câmera. Ao fundo, várias pessoas circulam pelo ambiente. O governador Eduardo Leite aparece na imagem, à direita da pessoa com quem conversa, usando camisa branca e calça clara.
Do total comercializado pelos free shops terrestres no Brasil, 46% foram no município de Uruguaiana – Foto: Vitor Rosa/Secom

Expansão das vendas e liderança nacional

Uruguaiana se consolida em posição de destaque entre as lojas francas. As vendas nas lojas de fronteira do Rio Grande do Sul passaram de US$ 3,4 milhões em 2019 para US$ 60,8 milhões em 2024. Do total comercializado pelos free shops terrestres no Brasil, 46% foram no município de Uruguaiana, chegando a 68% a participação total do Estado no país.

Em reais, o volume de vendas em Uruguaiana superou R$ 100 milhões em 2022 e chegou a R$ 207 milhões em 2024, representando 8% do varejo total do município. A cidade reúne hoje 16 lojas francas — a maior concentração do país — em um cenário em que o Rio Grande do Sul soma 37 estabelecimentos distribuídos em Sant’Ana do Livramento, Jaguarão, São Borja, Quaraí, Porto Mauá, Porto Xavier, Itaqui e Barra do Quaraí.

Foto em ambiente interno da loja, com uma fileira de produtos exposta ao fundo. Um grupo de pessoas está posicionado lado a lado, formando uma fileira para foto coletiva. Todos olham para a câmera. O governador Eduardo Leite aparece na imagem, ao centro-direita do grupo, de camisa branca e calça clara.
Uruguaiana reúne hoje 16 lojas francas, a maior concentração de free shops do país – Foto: Vitor Rosa/Secom

Dinâmica dos serviços e do emprego

O crescimento da atividade também se observa no setor de serviços. Entre 2020 e 2023, as vendas de alojamento e alimentação avançaram 67% em Uruguaiana, diante de 27% no Rio Grande do Sul, acompanhando a intensificação do fluxo de visitantes associada ao turismo de compras. O emprego formal segue a mesma trajetória, tendo crescido 25% no comércio, 59% no setor de alojamento e alimentação e 26% na indústria, entre dezembro de 2020 e agosto de 2025. Todos esses incrementos são superiores à média estadual no mesmo período. O município também ampliou sua presença como destino no transporte intermunicipal de passageiros, atingindo a maior participação no Estado desde 2019.

A expansão no emprego formal de setores relacionados é observada também no conjunto de municípios com lojas francas. No comércio varejista do Estado, a participação desses municípios passou de 3,8% em 2019 para 4,1% em 2024. No setor de alimentação, o índice evoluiu de 1,8% para 2,2% no período. O aumento da participação dessas regiões no comércio e no emprego formal indica o papel das LFFT como vetor de dinamização econômica regional.

 

Foto mostra um grupo de pessoas reunidas em frente à entrada de uma loja. No centro, participantes seguram e cortam uma fita azul sobre um tapete onde se lê “New York Free Shop”. Homens e mulheres estão posicionados em ambos os lados da fita, alguns segurando tesouras. Balões decorativos aparecem na parte superior do ambiente. O governador Eduardo Leite aparece na imagem, à direita do centro, vestindo camisa branca e calça clara.
Governador Eduardo Leite participou da inauguração de mais uma loja franca terreste, que amplia vendas no comércio de Uruguaiana – Foto: Vitor Rosa/Secom

Perfil dos consumidores

A dinâmica das vendas em LFFT segue um padrão sazonal. Dezembro concentra os maiores volumes de vendas, com média histórica crescente e acima de US$ 6,5 milhões no período de 2019 a 2024, no Brasil. Meses como novembro, janeiro, junho e julho também registram movimentação elevada, em uma trajetória que reflete o calendário turístico e datas relevantes do comércio, consolidando as lojas francas como parte estruturante da economia de fronteira.

A análise das vendas individuais nos free shops também revela um aumento da participação de compradores que dispendem, em média, mais de US$ 300. Em Uruguaiana, cerca de 9% dos compradores de lojas francas se situaram nessas faixas, em 2025. Embora a maior parcela dos compradores siga gastando menos de US$ 100, o aumento do ticket médio indica que um número crescente de consumidores está se aproximando do limite da cota de US$ 500.

A transformação no perfil dos consumidores corrobora as tendências sazonais e de patamar de gastos. Em Uruguaiana, a participação de estrangeiros nas compras, que era de 14% em 2019, alcançou 31% até setembro de 2025. No mesmo período, moradores num raio de até 50 km passaram a responder por 39% do valor vendido, após anos em que esse grupo superava a marca de 50%. Já os compradores brasileiros que se deslocam mais de 50 km mantiveram sua participação quase constante ao longo do tempo, representando 15%, em 2025.

Fonte: Ascom 

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