Ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo é encaminhado à Penitenciária Estadual de Canoas

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Jeff Botega / Agencia RBS

O ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, chegou no início da tarde desta quinta-feira (26) à Penitenciária Estadual de Canoas. O político foi preso pela manhã durante nova fase da Operação Lamaçal, que apura desvios de verbas federais através de contratos firmados com o município na área da assistência social.

Caumo foi levado pelos policiais de sua casa em Lajeado, no Vale do Taquari, para a sede da Polícia Federal em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, onde ficou por algumas horas. Ele deve retornar ao local nos próximos dias para prestar depoimento.

A Polícia Federal apontou desvios de cerca de R$ 5 milhões de recursos provenientes do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS). Foram identificados indícios de fraudes em ao menos três contratos firmados entre 2020 e 2024, incluindo no período da enchente.

O delegado da Polícia Federal, Marcone Silva, observa que o valor que teria sido desviado é resultado de uma análise preliminar. No entanto, ainda haverá um análise definitiva.

Ao investigar a destinação de verbas, a PF encontrou indícios de direcionamento em contratos da prefeitura de Lajeado com empresa de prestação de serviços terceirizados de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista. A dispensa da licitação foi realizada com a justificativa do estado de calamidade pública declarado pelo município do Vale do Taquari após enchentes.

— São várias empresas que são investigadas, é um grupo econômico formado por várias empresas — explica Silva.

Ele observa que há dois modos de atuação das empresas envolvidas no esquema:

— Uma forma para fraudar os procedimentos licitatórios e os contratos administrativos era o fornecimento de orçamentos fictícios. Essas empresas forneciam orçamentos fictícios e uma das empresas previamente definida ganharia o procedimento licitatório.

O grupo também promovia, em editais de licitações, cláusulas que inviabilizavam que outras empresas participassem dos certames.

Uma das empresas que teria sido beneficiada é ligada a uma mulher que também foi presa durante a operação. A Polícia Federal não divulgou o nome dela mas a reportagem apurou que se trata de Lorena Mercalli, da empresa Arki.

Marcelo Caumo

Antes de ser prefeito, Caumo chegou a ser advogado de uma empresa ligada à Mercalli. No escritório em que ele atuava como advogado, os policiais encontraram R$ 411 mil em espécie num cofre. A origem do recurso é investigada.

Silva explica que a prisão de Caumo decorre da análise parcial de documentos e depoimentos no âmbito da Operação Lamaçal — deflagrada em novembro de 2025.

— Verificamos diversas contradições entre os depoimentos prestados pelos investigados na primeira fase, em novembro de 2025. Eu escutei pessoalmente todos os investigados e há diversas contradições com os elementos apurados— explica. — Além dessas contradições, verificamos a possibilidade de eliminação de provas por parte dos investigados, combinação de possíveis depoimentos, considerando todos esses fatos para que a investigação tenha eficácia.

Contraponto

A reportagem tenta localizar a defesa de Lorena Mercalli. O espaço segue aberto a manifestações.

O que diz Marcelo Caumo

Advogado de defesa de Marcelo Caumo, Jair Alves Pereira afirma que desconhece “os fundamentos da prisão” e ainda não teve acesso a decisão. Segundo ele, o ex-prefeito de Lajeado tinha depoimento marcado para 4 de março.

— Eu desconheço, não entendo as razões. Me parece que não tem nada de fundamento para isso, mas eu preciso primeiro ter acesso à decisão — declarou Pereira.

O que diz a prefeitura de Lajeado

A Prefeitura de Lajeado informa que, na manhã desta quinta-feira (26/02), a Polícia Federal realizou diligências junto a setores do Executivo municipal, no âmbito da segunda fase da Operação Lamaçal.

A ação integra investigação relacionada a contratos de prestação de serviços terceirizados firmados em períodos anteriores à atual gestão.

Desde o início da operação a Administração Municipal vem colaborando com as investigações e prestando todas as informações e fornecendo documentos solicitados, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos.

Fonte: GZH

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