Uma das apostas da Polícia Civil para avançar na investigação sobre o desaparecimento de três pessoas da mesma família em Cachoeirinha, na Região Metropolitana, está nos resultados das perícias em aparelhos celulares apreendidos.
Estão desaparecidos desde o fim de semana de 24 e 25 de janeiro Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e os pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70. Os idosos são proprietários de um minimercado na Vila Anair. Eles desapareceram após, supostamente, saírem de casa para procurar pela filha, que estava desaparecida desde o dia anterior.
Na última sexta-feira (13), a polícia confirmou que um celular que tinha sido localizado nas proximidades do comércio dos pais pertencia mesmo a Silvana. O aparelho foi encontrado depois que a investigação recebeu uma informação anônima.
— Confirmamos que é o dela, mas aguardamos o laudo com as extrações (dos dados) — afirma o delegado regional, Anderson Spier.
A análise deste telefone está sob responsabilidade do Instituto-Geral de Perícias (IGP), e a polícia tem expectativa de que seja concluída em breve.
Já os aparelhos apreendidos com o policial militar Cristiano Domingues Francisco — que é ex-marido de Silvana e foi preso de forma temporária na semana passada —, com a atual companheira dele e a mãe dele passam por análise realizada pela Polícia Federal.

Acesso a conteúdos apagados
A expectativa da polícia é de que as análises desses celulares permitam ter acesso a troca de mensagens, a conteúdos que tenham sido pesquisados na internet e também à localização dos aparelhos naquele período do desaparecimento. Mesmo conteúdos que tinham sido apagados podem ser recuperados pela extração.
— As análises dos telefones da Silvana, do suspeito e da companheira com certeza irão movimentar bastante a investigação — acredita o delegado.
A polícia tem indícios de que o suspeito esteve próximo da família Aguiar, principalmente dos pais de Silvana, no dia do desaparecimento do casal — eles sumiram um dia depois da filha. Após a prisão, ele permaneceu em silêncio durante o depoimento.
Nenhum corpo foi encontrado
Neste momento, a polícia trata os familiares do ex-marido, que tiveram celulares apreendidos, como testemunhas. No entanto, não descarta possível envolvimento de outras pessoas no desaparecimento.
A polícia informou ainda na semana passada que trata o caso como possível feminicídio de Silvana e duplo homicídio dos pais dela. Mas, até o momento, nenhum corpo foi encontrado.
Possíveis atritos
Segundo a Polícia Civil, Silvana procurou o Conselho Tutelar 15 dias antes do sumiço para relatar que o filho dela, de nove anos, teria restrições alimentares e que o pai estaria desrespeitando suas orientações sobre a dieta da criança.
A criança morava com a mãe, mas passava os fins de semana na casa do pai. No fim de semana do desaparecimento da família, o menino estava com o pai. Pessoas próximas da mulher relatam que ela e o ex-marido não tinham boa relação. A polícia procura entender se essa seria uma motivação para um possível crime.
— Havia essa dificuldade com relação ao filho de questões, especialmente no tocante a restrições alimentares da criança, que, segundo a Silvana, não eram observadas por ele quando ele ficava com o menino no final de semana. O Conselho Tutelar tinha um processo de análise dessa situação — afirma o delegado.
Menino está com os avós paternos
Em um grupo em um aplicativo de mensagens, a mulher pediu, no dia 2 de janeiro, o contato do Conselho Tutelar. Em nota, o órgão confirma que ela esteve na unidade de Cachoeirinha no dia 9 de janeiro e relatou que o menino tem intolerância à lactose.
Após a prisão do homem, o menino foi encaminhado para a casa dos avós paternos. Na última terça-feira (10), duas conselheiras estiveram na residência dos avós para confirmar o vínculo. Na ocasião, a avó paterna apresentou um laudo alegando que o menino não sofre de intolerância à lactose.
O que diz o Conselho Tutelar
“A Silvana esteve no Conselho Tutelar (CT) no dia 9 de janeiro deste ano relatando que o pai não seguia algumas restrições alimentares que o filho teria — intolerância à lactose. O pai foi até o CT em 28 de janeiro, mas por demanda livre, não por ter sido chamado pelo órgão. O motivo era saber se o filho poderia ficar com ele (isso ocorreu após os desaparecimentos).
Ontem (terça-feira, 10/2), duas conselheiras estiveram na residência dos avós paternos para conferir o vínculo com o neto, o que, de fato, existe. A avó apresentou um laudo de que o menino não sofre de intolerância à lactose. Segundo ela, a família tem psicólogo da família do plano de saúde do pai do menino e que assinaram um termo de compromisso para procurar atendimento. Se houver algum impedimento legal pela prisão do suspeito para utilizar o plano, o CT tem autonomia para solicitar o serviço junto aos profissionais da rede de proteção municipal.”
O que diz a defesa
A defesa do suspeito afirmou que ainda não teve acesso aos autos. “Não há como ter qualquer posição. Sei apenas o que está sendo veiculado na imprensa”, informou o advogado Jeverson Barcellos.

















