Paula Caroline Ferreira Rodrigues, 31 anos, foi condenada nesta terça-feira (10) a 26 anos e oito meses de prisão em regime fechado pelo assassinato de José Gustavo Bertuol Gargioni. O fotógrafo de 22 anos foi morto a tiros e encontrado na Praia de Paquetá, em Canoas, na Região Metropolitana, em julho de 2015.
A ré, considerada foragida pela Justiça, foi condenada pelo crime de homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Além dela, Juliano Biron da Silva é apontado como coautor do crime. Então namorado dela e chefe de uma organização criminosa, ele foi condenado a 20 anos e oito meses de prisão por homicídio qualificado em 2020.
Segundo a acusação, Paula mantinha um relacionamento com o fotógrafo e o teria atraído para uma emboscada, no qual foi morto. O crime teria sido motivado por ciúmes.
O julgamento
O julgamento começou na manhã desta terça-feira, no Fórum da Comarca de Canoas, e chegou ao fim por volta das 19h. A ré foi julgada à revelia: Paula é foragida, com mandado de prisão em aberto, e o advogado que a defendia comunicou que não compareceria ao plenário.
Durante o júri, apenas uma testemunha de acusação foi ouvida: o delegado de Polícia responsável pela investigação. Familiares da vítima acompanharam a sessão, vestindo camisetas com foto da vítima.
Renúncia da defesa
O advogado Rodrigo Schmitt anunciou que não compareceria ao júri e comunicou a renúncia à defesa de Paula. Em nota, ele explicou que havia pedido o adiamento da sessão por motivos de saúde, com atestado médico, mas que o juiz negou o pedido às 18h36min do dia 2 de março.
Poucas horas depois, às 20h30min do mesmo dia, segundo Schmitt, o próprio magistrado adiou o julgamentoalegando problemas de saúde próprios e remarcou a sessão para oito dias depois.
Schmitt informou ao juiz que não tinha contato com Paula desde a absolvição no primeiro júri, em 2023, e que, na nova data, teria uma audiência prioritária envolvendo o réu preso, categoria com preferência legal. Pediu que a ré fosse localizada e intimada sobre a renúncia.
O magistrado não aceitou nem a renúncia nem o novo pedido de adiamento.
“A realização do julgamento por um advogado escolhido pelo juiz, e não pela própria Paula, compromete a legitimidade do processo, o que pode resultar em nulidade absoluta dos atos praticados”, escreveu Schmitt.
Júri à revelia
No processo penal, o júri à revelia ocorrequando o réu, mesmo citado ou intimado, não comparece aos atos processuais sem justificativa.
O julgamento pode prosseguir, mas a lei garante defesa técnica por advogado ou defensor público.
A ausência não implica presunção de culpa, e o réu pode intervir no processo a qualquer momento.
Novo julgamento
Paula foi levada ao Tribunal do Júri em dezembro de 2023. O conselho de sentença a absolveu da acusação de homicídio e reconheceu a prescrição do crime de ocultação de cadáver, extinguindo a punibilidade nesse ponto.
O Ministério Público recorreu. Em abril de 2025, o TJ entendeu que o veredito contrariou as provas do processo e determinou novo julgamento.
A decisão transitou em julgado em agosto do mesmo ano.
O crime

O fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni foi encontrado morto em julho de 2015, na Praia do Paquetá, em Canoas. Conforme o Ministério Público, o homicídio ocorreu nas proximidades das ruas Itu e Guarani, onde o fotógrafo foi atingido por 19 disparos de arma de fogo. O crime teria acontecido após Paula chamá-lo para um encontro, que serviu como armadilha para o crime.
O crime teria sido motivado por ciúmes, já que a ré mantinha relacionamento com o coautor — apontado como integrante de uma facção criminosa — e, ao mesmo tempo, se relacionava com a vítima.
Por pouco mais de dois anos, Gargioni trabalhou como fotógrafo do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, durante o mandato do ex-governador Tarso Genro. Antes de morrer, ele atuou em uma produtora de eventos de Canoas.
Fonte: GZH

















