O Antigo Quartel do Passo em São Borja

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Fotografia restaurada por Márcio Avila do Quartel do Passo

Nas minhas pesquisas e buscas históricas dentro da linha militar — afinal, São Borja, como cidade de fronteira, sempre contou com guarnições diversas — encontrei informações valiosas sobre um antigo quartel quase esquecido pela memória local. Ao longo do tempo, nossa cidade recebeu efetivos do Exército Brasileiro, da Brigada Militar, extinta Guarda Nacional e até um destacamento da Marinha, com o Corpo de Fuzileiros Navais. Assim, São Borja sempre manteve contingentes fixos e móveis que guarneciam nossa fronteira.
Foi nesse contexto que surgiu a imagem do “quartel velho do Passo”. Sim, São Borja teve um quartel exatamente na região onde hoje está localizada a estação da Corsan, no bairro do Passo, junto à Vila Progresso.
Segundo os escritos de Fernando O.M.O’Donnell, esse quartel ficava no noroeste da cidade, cerca de 900 metros das margens do rio Uruguai, 600 metros da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e pouco mais de 1 km ao sul da curva grande do Arroi do Padre, local hoje integrado à área da Corsan.
A estrutura ocupava 60 mil metros quadrados e tinha forma de quadrilátero, com fachadas em todos os seus lados construídas em alvenaria. As paredes eram reforçadas, o quartel era cercado por grade de ferros, possuindo aproximadamente 70 cm de espessura e 5 metros de altura até as platibandas. O telhado era coberto com telhas que avançavam em declive de 6 metros para o pátio interno. O complexo contava ainda com uma enfermaria de arquitetura mais elaborada.
Os limites do terreno alcançavam a área onde hoje está o Cemitério do Passo, incluindo também o atual estande de tiro do Exército, que fazia parte das antigas instalações.
A construção do quartel durou quinze anos. Começou sob responsabilidade do Capitão Francisco Raymundo Ewerton de Quadros, que assinou a planta original em Bagé, em 1º de janeiro de 1878, e foi concluída somente em fevereiro de 1893. Essa primeira data se relaciona diretamente ao período pós-Guerra do Paraguai. Como é sabido, o Rio Grande do Sul foi invadido por São Borja, e, apesar da resistência, não havia um efetivo militar permanente e numeroso capaz de conter o ataque, pois a maioria das tropas era de movimentação, sem guarnição fixa, exceto a Guarda Nacional.
Fernando O.M.O’Donnell destaca que não há registros detalhados do andamento das obras, o que ajuda a explicar o longo período de construção. Além disso, o ano de 1893 foi marcado por forte instabilidade política, culminando na Revolução Federalista, que gerou reflexos no Exército, falta de verbas, carência de pessoal especializado e dificuldades na obtenção de materiais adequados para a obra.
O início efetivo da construção ocorreu com a chegada de uma companhia do Batalhão de Engenharia, procedente de Cachoeira do Sul, em 1883. As obras ficaram sob direção do Major Carlos Eugênio de Andrade Guimarães, que posteriormente se tornaria nacionalmente conhecido por sua participação vitoriosa na Guerra de Canudos.
É importante destacar que, logo após a conclusão das obras, o quartel não chegou a ser ocupado por tropas regulares. Em novembro de 1893, foi utilizado pelo Comandante Superior da Guarda Nacional em São Borja, Coronel Aparício Mariense, que dali planejou e repeliu a terceira tentativa federalista de tomar a cidade, ataque repetido novamente — sem êxito — em fevereiro de 1894, durante a sangrenta Revolução Federalista, conflito que colocou frente a frente maragatos e governistas.
Apesar do fogo constante das armas, o quartel resistiu e foi finalmente entregue aos seus legítimos ocupantes: São Borja então sediava o 3º Regimento de Cavalaria Ligeira, uma unidade completa, com Estado-Maior e quatro esquadrões, além de um destacamento do 6º Batalhão de Infantaria de Uruguaiana.
A partir de 1894, o quartel passou a denominar-se oficialmente 3º Regimento de Cavalaria, permanecendo ali até 1908, quando a unidade foi transferida para Uruguaiana — cidade que já acolhera, desde 1898, o destacamento de infantaria onde Getúlio Vargas serviria após o episódio do Crime de Ouro Preto.
Em 1909, instalou-se no local o 6º Regimento de Cavalaria Independente, que permaneceu por cerca de vinte anos até ser transferido para as atuais instalações, na Avenida Júlio Tróis, onde hoje está o 2º Regimento de Cavalaria Mecanizado.
Logo após a transferência deste regimento, as antigas instalações passaram a abrigar o 14º Corpo Provisório da Brigada Militar em 1931, comandado por Benjamin Vargas, irmão do Presidente Getúlio Vargas. Essa unidade existiu até sua dissolução em 1934.
Depois disso, o quartel entrou em abandono, seguido de sua completa demolição. Restaram apenas lembranças, referências históricas e algumas imagens que testemunham a estrutura militar que um dia existiu no bairro do Passo — um marco importante da história militar e urbana de São Borja.

Isaac Carmo Cardozo é 1°Sargento da Brigada Militar, Bacharel em Direito pela Unilassale/Canoas, Especialista em Gestão Pública pela UFSM/Santa Maria e Mestre em Políticas Públicas pela Unipampa/São Borja. Escreveu o livro: Monitoramento de Políticas Públicas de Segurança – O Programa de Resistência às drogas e a violência (Proerd) no Município de São Borja. Tradicionalista, é Coordenador da Invernada Especial do Centro Nativista Boitatá. Historiador e pesquisador e apaixonado pela cultura do Rio Grande do Sul.

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