Comandante da Guarda de Vitória foi morta dentro de casa pelo namorado PRF
O policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza usou uma escada para invadir o quarto da namorada, a comandante da Guarda de Vitória Dayse Barbosa e matá-la com cinco tiros. Na mochila dele, a polícia encontrou um canivete, uma faca, um vidro de álcool, carregadores de munição, alicate e um esqueiro.
Segundo o secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, há indícios de que o crime tenha sido premeditado.
“A circunstância é que ele foi com o intuito de cometer o feminicídio. Ele levou materiais para entrar na residência e subir na marquise. Tudo indica que ele a pegou deitada, dormindo, e efetuou os disparos sem possibilidade de reação”, afirmou o secretário Amarílio Boni.
Dayse, de 37 anos, foi morta por volta de 1h desta segunda-feira (23), na casa onde ela morava com o pai e a filha de 8 anos, no bairro Caratoíra, em Vitória. Depois do crime, Diego foi até a cozinha e tirou a própria vida
De acordo com o secretário, a vítima foi surpreendida enquanto dormia e não teve chance de se defender. A cena encontrada no quarto indica que ela ainda chegou a se levantar antes de ser atingida.
“Pela condição em que estava o quarto, deu a entender que ela levantou e já foi atingida pelos cinco disparos”, disse.
‘No primeiro tiro, acordei’, diz pai da comandante
O pai de Dayse, o aposentado Carlos Roberto Teixeira, estava em casa no momento crime. Ele contou que acordou ao ouvir o primeiro disparo.
“Não deu tempo de nada, ele entrou atirando. No primeiro tiro eu já acordei. Abri a porta devagarzinho, olhei, vi ele correndo, mas não deu pra sair, fiquei com medo de tomar um tiro também”, relatou o pai.
De acordo com Carlos, o crime foi motivado pela tentativa da filha de encerrar o relacionamento.
O velório da comandante vai acontecer a partir das 15h30, desta segunda-feira (23), e o sepultamento está previsto para às 17h.
Marcas de tiro pela casa
Na casa onde o crime ocorreu, ainda era possível ver as marcas de tiros no quarto e na cozinha, onde o suspeito tirou a própria vida.
A escada usada para invadir o imóvel foi guardada na despensa. Também havia sinais de uma tentativa de arrombamento na porta principal, ocorrida dias antes.
Relacionamento conturbado
Segundo o pai, Dayse e o policial se conheciam há cerca de quatro anos e mantinham um relacionamento marcado por episódios de violência.
Apesar das situações relatadas, ele afirmou que a filha nunca registrou denúncia formal sobre as agressões sofridas.
“Era uma relação conturbada, dois dias bons e quatro dias ruins. Eu já tinha presenciado brigas, já tirei ele de cima dela, uma vez flagrei ele tentando enforcar a Dayse“, contou.
Primeira comandante mulher
Dayse foi a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal da capital. Ela deixa uma filha de 8 anos.
Já Diego, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), tralhava em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, e entrou na coorporação em 2020.
Antes de se tornar PRF, Diego foi guarda municipal. Os dois foram colegas de trabalho.
Uma equipe da Polícia Científica esteve na casa da comandante para realizar a perícia e conversou com familiares.
Os celulares dos dois vão ser encaminhados para análise pericial para que possa ser descoberta a motivação para o crime.
O caso vai ser investigado pela Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM) de Vitória.
Em nota, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) manifestou pesar pelo falecimento da comandante.
Leia a nota da íntegra:
“A Polícia Rodoviária Federal (PRF) manifesta enorme pesar pelo falecimento de Dayse Barbosa Matos, comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória (ES), em ocorrência de homicídio e autoextermínio que também resultou na morte do Policial Rodoviário Federal Diego Oliveira de Sousa, lotado na Delegacia da PRF em Campos dos Goytacazes (RJ).
Os fatos estão sob apuração das autoridades competentes. A Polícia Rodoviária Federal está à disposição para colaborar com as investigações.
A PRF lamenta profundamente as circunstâncias da ocorrência, ao mesmo tempo que reitera seu compromisso com a vida, contra o feminicídio e a violência contra as mulheres”.
Fonte: G1


















