O Senado da Argentina aprovou, na madrugada desta quinta-feira (11), o texto-base da polêmica reforma trabalhista impulsionada pelo presidente Javier Milei. Com 42 votos a favor e 30 contra, o projeto segue agora para a Câmara dos Deputados, onde o governo espera uma ratificação rápida até o final de fevereiro.
A votação ocorreu em meio a violentos confrontos entre forças de segurança e manifestantes nos arredores do Congresso, resultando em dezenas de detidos e feridos.
Eixos da reforma e críticas sindicais
O projeto ultraliberal prevê mudanças estruturais na relação entre patrão e empregado, incluindo a redução de indenizações por demissão, limitações ao direito de greve e a possibilidade de fracionamento de férias e pagamentos em espécie.
Enquanto o governo defende que as medidas visam “simplificar” o mercado para gerar crescimento no setor privado, a Confederação Geral do Trabalho (CGT) classifica as alterações como “regressivas e escravistas”, alertando para a precarização dos postos de trabalho.
Impacto econômico e perda de empregos
A oposição peronista argumenta que a reforma não garantirá investimentos enquanto persistir a estagnação econômica e a queda no consumo. Desde a posse de Milei em dezembro de 2023, a Argentina perdeu cerca de 300 mil postos de trabalho formais, com perdas acentuadas nos setores industrial e de construção. Senadores governistas, liderados por Patricia Bullrich, sustentam que o sistema atual fracassou e que a nova legislação é o único caminho para uma “Argentina moderna”.
Para garantir a aprovação antes da abertura das sessões ordinárias em 1º de março, o governo negociou cerca de 30 modificações no texto original. Na Câmara dos Deputados, a bancada de oposição promete obstruir o debate para impedir a implementação da lei.
Enquanto isso, setores mais combativos do sindicalismo pressionam por uma greve geral, criticando a postura da CGT diante do que consideram uma afronta aos direitos históricos da classe trabalhadora.
Fonte: Correio do povo

















