Um técnico de enfermagem foi preso em Porto Alegre pela 2ª Delegacia da Mulher da Polícia Civil por suspeita de crime sexual contra 14 colegas. O investigado foi preso de forma preventiva nesta terça-feira (17).
Segundo a investigação, o técnico trabalhava no Hospital Nossa Senhora da Conceição desde agosto do ano passado. Durante esse período, colegas passaram a relatar casos de importunação sexual. O caso foi comunicado à administração da casa de saúde — que abriu um procedimento para apurar os fatos e afastou o técnico do trabalho — e também à polícia.
O nome do preso não foi divulgado pela Políca Civil, mas Zero Hora apurou que se trata de John Douglas de Lima Machado, 40 anos. Após a prisão, ele optou por permanecer em silêncio.
— Ele foi preso por diversos crimes de importunação sexual cometidos contra colegas de trabalho na clandestinidade. Ou seja, o abusador tem esse perfil de se aproveitar de situações em que ele está sozinho com a vítima, sem testemunhas, para cometer o crimes. Foram diversos atos libidinosos praticados contra as vítimas, sem a anuência delas — descreve a delegada Fernanda Campos, titular da 2ª Deam de Porto Alegre.
Conforme a delegada, nestes casos, o agressor não utiliza força, o que diferencia a importunação sexual do estupro.
— São 14 mulheres, nem todas depuseram na sede policial por medo de represálias, do constrangimento. Mas todas elas depuseram no processo administrativo dentro do hospital. Elas relatam, algumas mais de uma vez, que ele praticou atos de cunho sexual sem as suas anuências — diz a delegada.
Investidas durante plantões noturnos
Os relatos das mulheres são semelhantes. Uma das vítimas, que registrou ocorrência em dezembro, afirmou que os episódios aconteceram durante os plantões noturnos. A mulher disse que o técnico havia, por repetidas vezes ao longo de um mês, se aproveitado de situações para esfregar o corpo contra o dela e que chegou a beijar seu pescoço. Outras relataram beijos no canto da boca e que ele chegou a constranger uma das vítimas, tentando beijá-la no vestiário.
Segundo a polícia, no hospital, o técnico negou os crimes, alegando que se tratava de brincadeiras que tinham sido mal entendidas, mas ele ainda será ouvido formalmente no processo.
O agressor se apresenta com perfil clássico de abusador. Ele é um bom colega, prestativo, atencioso e acima de qualquer suspeita, para que todos acreditem na sua versão de que nada ocorreu.
FERNANDA CAMPOS
Titular da 2ª Deam de Porto Alegre
Outros casos
Durante a investigação, a polícia descobriu que o mesmo técnico havia trabalhado em outros hospitais da Capital e que, em um deles, houve um registro de importunação sexual por parte de uma paciente. Ele também foi afastado dessa casa de saúde.
A mulher relatou que no período em que esteve hospitalizada, entre fevereiro e março de 2023, o técnico de enfermagem lhe atendeu, enquanto ela estava acamada. A paciente relatou que ele teria se aproveitado do momento em que estava próximo dela para tocar seus seios e esfregar o corpo no dela, pressionado o pênis contra a vítima.
Por este caso, o técnico de enfermagem responde a processo por importunação sexual. Ele foi denunciado pelo Ministério Público, após ser indiciado pela Polícia Civil. Há ainda um outro caso, em andamento, no qual ele foi indiciado pela polícia por suspeita de estupro de vulnerável contra uma menina, fora do ambiente hospitalar.
A polícia apura agora se existem outros casos que ainda não foram registrados.
— Ele tem anos de carreira. Então, provavelmente praticou esses abusos em outros âmbitos de trabalho. Por isso, a importância de as vítimas denunciarem. A denúncia serve para responsabilização do investigado e também para evitar novos crimes. Assim que ele é tirado da sociedade, como neste caso, ele não consegue praticar outros crimes, e isso protege outras mulheres — afirma a delegada.
Contraponto
Após ser preso, o técnico optou por permanecer em silêncio. A reportagem busca contato com a defesa de John Douglas de Lima Machado. O espaço segue aberto para manifestação.
A reportagem também entrou em contato com o Hospital Conceição, que informou que “o empregado investigado foi afastado das funções no dia 02/01, enquanto corria a investigação”. A assessoria da casa de saúde ainda esclareceu que ele permanece afastado e que “o processo acusatório (PAD) está em fase final de instrução”. Por fim, acrescenta que “a Corregedoria foi criada nesta gestão do GHC, em 2024, para reforçar procedimentos internos de apuração e governança. Graças a esta unidade criada, foi possivel dar celeridade para este caso”.
Como pedir ajuda
Brigada Militar – 190
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
- Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente, à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
- Em Porto Alegre, há duas Delegacias da Mulher. Uma fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
- A outra fica entre as zonas Leste e Norte, na Rua Tenente Ary Tarrago, 685, no Morro Santana. A repartição conta com uma equipe de sete policiais e funciona de segunda a sexta, das 8h30min ao meio-dia e das 13h30min às 18h.
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.
Delegacia Online
- É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
- Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Ministério Público
- O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
- Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Acesse o site.
Defensoria Pública – Disque 0800-644-5556
- A vítima pode procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Disque 100 – Direitos Humanos
- Serviço gratuito e confidencial do Governo Federal, disponível 24 horas por dia, para proteção e denúncias de violações de direitos humanos
Fonte: GZH


















