Viúva de produtor morto em abordagem policial se reunirá com governador Eduardo Leite para entregar abaixo-assinado

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Foto : Gabriel Veríssimo / Grupo RBS

A viúva do produtor de morangos Marcos Nörnberg, morto em 15 de janeiro durante uma abordagem da Brigada Militar, Raquel Motta Nörnberg, vai se reunir com o governador Eduardo Leite para entregar um abaixo-assinado que defende medidas de maior transparência na atuação policial.

O encontro está marcado para as 10h desta quinta-feira (26), no Palácio Piratini, em Porto Alegre. Familiares da vítima, incluindo a esposa e os enteados, estarão presentes.

A mobilização reúne assinaturas de cidadãos que apoiam mudanças em procedimentos de segurança pública. Entre as propostas estão a implementação de câmeras corporais para policiais militares no interior do Estado e a realização de exames toxicológicos aleatórios e periódicos.

Segundo Raquel, as medidas podem contribuir para ampliar a transparência nas abordagens, proteger a população e também resguardar os próprios profissionais da segurança.

Audiência ocorre dois meses após a morte de Marcos Nörnberg, agricultor que vivia com a família na zona rural de Pelotas.

De acordo com relato da viúva, a abordagem ocorreu durante a madrugada, por volta das 3h, quando homens armados teriam entrado na propriedade sem que fosse possível identificá-los inicialmente como policiais ou que apresentassem mandado judicial.

— Vivemos momentos de extremo medo e desespero, acreditando tratar-se de uma ação criminosa — relatou.

O caso gerou repercussão na comunidade rural e ampliou o debate sobre os procedimentos adotados em operações policiais.

Para a família, o abaixo-assinado representa uma forma de transformar a dor em mobilização por mudanças.

— Sigo buscando justiça e também formas de contribuir para que situações semelhantes não voltem a acontecer com outras famílias — afirmou Raquel.

Investigações seguem em andamento

A morte de Marcos Nörnberg é alvo de duas investigações paralelas. Uma ocorre no âmbito da Corregedoria da Brigada Militar, responsável por apurar a conduta dos policiais envolvidos. A outra é conduzida pela Polícia Civil, que investiga as circunstâncias do caso na esfera criminal.

Até o momento, os inquéritos ainda não foram concluídos.

Raquel já foi ouvida nas duas investigações, assim como outros familiares e os policiais que participaram da ação. Como parte da apuração conduzida pela Brigada Militar, uma simulação do caso deve ser realizada nas próximas semanas, com o objetivo de reconstituir a dinâmica da ocorrência.

Até agora, porém, a defesa da família afirma que ainda não foi oficialmente notificada sobre a data da simulação.

Fonte: GZH

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