A viúva do produtor de morangos Marcos Nörnberg, morto em 15 de janeiro durante uma abordagem da Brigada Militar, Raquel Motta Nörnberg, vai se reunir com o governador Eduardo Leite para entregar um abaixo-assinado que defende medidas de maior transparência na atuação policial.
O encontro está marcado para as 10h desta quinta-feira (26), no Palácio Piratini, em Porto Alegre. Familiares da vítima, incluindo a esposa e os enteados, estarão presentes.
A mobilização reúne assinaturas de cidadãos que apoiam mudanças em procedimentos de segurança pública. Entre as propostas estão a implementação de câmeras corporais para policiais militares no interior do Estado e a realização de exames toxicológicos aleatórios e periódicos.
Segundo Raquel, as medidas podem contribuir para ampliar a transparência nas abordagens, proteger a população e também resguardar os próprios profissionais da segurança.
Audiência ocorre dois meses após a morte de Marcos Nörnberg, agricultor que vivia com a família na zona rural de Pelotas.
De acordo com relato da viúva, a abordagem ocorreu durante a madrugada, por volta das 3h, quando homens armados teriam entrado na propriedade sem que fosse possível identificá-los inicialmente como policiais ou que apresentassem mandado judicial.
— Vivemos momentos de extremo medo e desespero, acreditando tratar-se de uma ação criminosa — relatou.
O caso gerou repercussão na comunidade rural e ampliou o debate sobre os procedimentos adotados em operações policiais.
Para a família, o abaixo-assinado representa uma forma de transformar a dor em mobilização por mudanças.
— Sigo buscando justiça e também formas de contribuir para que situações semelhantes não voltem a acontecer com outras famílias — afirmou Raquel.
Investigações seguem em andamento
A morte de Marcos Nörnberg é alvo de duas investigações paralelas. Uma ocorre no âmbito da Corregedoria da Brigada Militar, responsável por apurar a conduta dos policiais envolvidos. A outra é conduzida pela Polícia Civil, que investiga as circunstâncias do caso na esfera criminal.
Até o momento, os inquéritos ainda não foram concluídos.
Raquel já foi ouvida nas duas investigações, assim como outros familiares e os policiais que participaram da ação. Como parte da apuração conduzida pela Brigada Militar, uma simulação do caso deve ser realizada nas próximas semanas, com o objetivo de reconstituir a dinâmica da ocorrência.
Até agora, porém, a defesa da família afirma que ainda não foi oficialmente notificada sobre a data da simulação.
Fonte: GZH


















