Por: Jardel Tavares
A safra de trigo no Rio Grande do Sul deve registrar uma nova retração em 2026, cenário que já se reflete de forma direta no ritmo de trabalho e nas decisões dos produtores de São Borja e da Fronteira Oeste. De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, a combinação entre custos elevados de produção, baixa rentabilidade do cereal e o risco climático associado ao fenômeno El Niño tem desestimulado a continuidade do cultivo na região.
Em São Borja, a realidade local aponta para um aumento no número de produtores que optaram por desistir do plantio de trigo para este ciclo. A decisão tem sido impulsionada pela incerteza em relação ao clima durante o inverno e a primavera, somada às rigorosas exigências de qualidade do mercado e ao alto investimento necessário para a implantação das lavouras. Nos municípios vizinhos, como Manoel Viana, os agricultores até adquiriram os insumos e prepararam as áreas, mas a semeadura avança de forma lenta devido à baixa umidade do solo, fazendo com que muitos aguardem por chuvas mais regulares.
Essa tendência de queda não é exclusiva da Fronteira Oeste. O relatório da Emater projeta reduções expressivas na área cultivada em outras regiões do Estado, como perdas estimadas em 30% na Serra Gaúcha e na regional de Soledade, e de 20% na região de Frederico Westphalen. Em contrapartida, polos tradicionais como Ijuí e Santa Rosa registram entre 6% e 7% da área projetada já semeada, concentrada principalmente em propriedades que utilizam recursos próprios, sem dependência de financiamento bancário ou seguro rural.
O cenário de incertezas também tem provocado uma mudança estrutural nas propriedades rurais. Diante da baixa previsibilidade econômica do trigo voltado à indústria alimentícia, cresce a migração para culturas de inverno alternativas, como a canola, carinata, linhaça e painço. Há ainda um estímulo técnico para a produção de grãos destinados à fabricação de etanol.
Na safra anterior, o Rio Grande do Sul cultivou 1,16 milhão de hectares de trigo, gerando 3,45 milhões de toneladas. Para 2026, o comportamento do mercado e a regularização das precipitações nas próximas semanas serão os fatores determinantes para definir o tamanho final da área que será efetivamente colhida no município e no Estado.
Fonte: Site SB News, com informações do Portal do Agronegócio


















