Hoje, 2 de setembro, final de tarde.
São Borja vai desacelerando aos poucos. O azul do céu começa a ganhar outros tons, a sombra das árvores cresce sobre os telhados e o dia, que parecia tão comprido algumas horas atrás, já começa a se despedir.
É setembro. A Semana da Pátria chegou, e com ela também esse jeito diferente de viver a cidade: as cores, os símbolos, a memória. É também o mês Farroupilha, quando o Rio Grande parece olhar um pouco mais para dentro de si e lembrar de onde veio.
Mas talvez setembro também seja sobre passagem.
Os dias passam. As semanas passam. As pessoas passam. Algumas ficam, outras seguem. Há coisas que a gente queria prolongar, momentos que gostaria de guardar exatamente como eram. Mas o tempo não negocia. Ele simplesmente continua.
E então o fim da tarde chega para lembrar uma coisa simples: mesmo quando o dia está terminando, ainda existe luz.
Talvez seja isso que o pôr do sol nos ensine. Que terminar não significa necessariamente perder. Que algumas coisas precisam chegar ao fim para que outras possam começar. E que, por mais escuro que um dia possa parecer, quase sempre existe algum último raio atravessando as árvores.
Hoje, em São Borja, o sol ainda está ali.
Quase seis da tarde.
O dia está indo embora.
Mas a luz ficou.
Fonte: SB News


















