Uma investigação da Polícia Civil que apura o recrutamento de adolescentes e jovens para o tráfico de drogas levou ao cumprimento de mandados em Rio Grande, Santana do Livramento e Uruguaiana na manhã desta sexta-feira (4). Oito pessoas foram presas.
Batizada de Operação Criminal Influencer, a ação resultou na prisão de cinco pessoas em Santana do Livramento, uma em Rio Grande, uma em Uruguaiana e outra em Rivera, no Uruguai.
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, incluindo uma ordem dentro do Presídio Estadual de Santana do Livramento e outra na Penitenciária Estadual de Rio Grande.
Segundo a Polícia Civil, a investigação identificou a atuação de um grupo estruturado voltado ao tráfico de drogas, com divisão de tarefas relacionadas ao armazenamento, transporte, distribuição e comercialização de entorpecentes.
As apurações tiveram início durante a investigação de um roubo com resultado morte ocorrido em Santana do Livramento, em agosto de 2025. A partir das diligências, surgiram indícios de uma organização ligada ao tráfico de drogas, o que levou à ampliação das investigações.
Jovens eram aliciados para atuar no tráfico
De acordo com o delegado Adriano Linhares, o grupo investigado demonstra uma mudança observada pelas forças de segurança na dinâmica do tráfico de drogas na região.
- — É uma geração de traficantes que já foi presa e continua atuando a partir do sistema prisional. Eles cooptaram um grupo de jovens, entre adolescentes e pessoas de 18 a 25 anos, para atuar na distribuição e no gerenciamento do tráfico de drogas — afirmou.
Segundo a investigação, os integrantes mais jovens atuavam diretamente nas atividades criminosas enquanto recebiam orientações de pessoas com histórico de envolvimento no tráfico.
Influência continuava de dentro da prisão
A Polícia Civil apurou que integrantes encarcerados continuavam exercendo influência sobre o grupo por meio de intermediários e contatos realizados por telefone e aplicativos de mensagens.
A análise de conversas, fotografias, arquivos digitais e movimentações financeiras permitiu identificar negociações relacionadas ao tráfico, transferências por Pix, uso de imóveis para armazenar drogas e tentativas de ocultação de provas.
Os investigadores também encontraram indícios de que os suspeitos apagavam mensagens, formatavam celulares e escondiam dispositivos eletrônicos para dificultar o trabalho policial.
Outro ponto identificado durante a investigação foi o uso de redes sociais para aproximar e influenciar novos integrantes. Segundo a Polícia Civil, as plataformas digitais eram utilizadas como ferramenta de recrutamento, especialmente entre jovens.
Fonte: GZH


















