Nestes últimos dias, perdi uma pessoa que fazia parte da minha trajetória de vida. Daquelas pessoas que deixam sua contribuição, que nos ajudam a crescer, a construir um legado e, de alguma forma, dão sentido à nossa caminhada.
Mas, diante da perda, a vida nos ensina algumas lições — embora seja preciso ter sensibilidade para compreendê-las.
Pensei que precisava levar algumas flores para colocar próximo ao caixão. Foi então que me veio uma pergunta que doeu: quantas vezes levei flores enquanto essa pessoa ainda estava em vida?
E, junto com essa pergunta, veio o remorso. Remorso por não ter abraçado mais, por não ter dito mais vezes o quanto aquela pessoa era importante. Porque o que hoje é presente, amanhã será passado e, depois, permanecerá apenas na memória.
Então comecei a pensar em tantas outras pessoas que passaram pela minha vida e para as quais talvez eu também não tenha oferecido flores em vida. Pessoas que eu poderia ter abraçado mais, agradecido mais, dito que amava ou simplesmente demonstrado o quanto eram importantes.
Mas o tempo não volta. O vento leva os momentos, e não temos como alcançá-los novamente.
E isso nos faz perguntar:
O que tenho feito por mim?
O que tenho feito por nós?
O que tenho feito por aqueles que amo?
Talvez a grande lição seja simples: não espere a morte para oferecer flores.
Ofereça flores em vida.
Abrace enquanto houver braços.
Diga que ama enquanto houver voz.
Agradeça enquanto houver tempo.
Esteja presente enquanto a presença ainda for possível.
Porque tudo é passageiro nesta vida.
Que possamos oferecer o nosso melhor, dentro dos nossos limites, e construir memórias positivas na vida daqueles que caminham conosco.
Não deixe para levar flores quando já não houver alguém para recebê-las.
Ofereça flores em vida. 🌹
Isaac Carmo Cardozo é Tenente da Brigada Militar, Bacharel em Direito pela Unilassale/Canoas, Especialista em Gestão Pública pela UFSM/Santa Maria e Mestre em Políticas Públicas pela Unipampa/São Borja. Escreveu o livro: Monitoramento de Políticas Públicas de Segurança – O Programa de Resistência às drogas e a violência (Proerd) no Município de São Borja. Tradicionalista, é Coordenador da Invernada Especial do Centro Nativista Boitatá. Historiador e pesquisador e apaixonado pela cultura do Rio Grande do Sul


















