A promotoria de Justiça com atuação na 2ª Auditoria Militar pediu novas investigações no Inquérito Policial Militar (IPM) que apurou a morte do agricultor Marcos Nornberg durante uma ação da Brigada Militar, em janeiro de 2026, em Pelotas, no Sul do Estado.
Em março, a Corregedoria-Geral da BM havia concluído que não houve nenhum crime militar na conduta dos policiais envolvidos, não realizando nenhum indiciamento. A conclusão foi, depois, confirmada pelo Comando-Geral da corporação, que viu apenas transgressões disciplinares — supostos erros dos militares que não são considerados crimes.
Agora, a promotora de Justiça Anelise Haertel Grehs aponta “fortes indícios de abuso de autoridade por parte dos oficiais” que coordenaram a operação. Ela também afirma que há elementos que sugerem a prática de tortura psicológica contra a esposa da vítima, Raquel Nornberg.
A decisão sobre a realização de novas diligências cabe à Justiça Militar do Estado. Uma outra investigação, sobre o crime de homicídio, ainda está aberta pela Polícia Civil.
Procurada, a BM se manifestou por meio de nota: “A Brigada Militar informa que o pedido de novas diligências formulado pelo Ministério Público insere-se no âmbito de sua atribuição constitucional, não cabendo à Corporação tecer manifestações sobre medidas adotadas pelo órgão ministerial. Com relação ao suposto crime de tortura, de acordo com as provas coligidas aos autos, não houve indícios do cometimento do referido crime.”
O Inquérito Policial Militar (IPM) havia anteriormente descartado crimes militares por parte dos policiais envolvidos, mas apontou “falhas graves” de planejamento e responsabilizou cinco agentes na esfera disciplinar.
A investigação interna da BM tinha afastado suspeitas de tortura, omissão de socorro e fraude processual durante o confronto.
Crime militar é uma infração penal, definida no Código Penal Militar (CPM), que viola a hierarquia e a disciplina militar. Pode ser cometido por militares da ativa ou da reserva, ou, em certas situações, por civis. Julgado pela Justiça Militar, engloba crimes como deserção, motim, abandono de posto, ou crimes comuns (homicídio, furto) cometidos em contexto de serviço ou contra a administração militar.
Relembre o caso
O fato aconteceu na madrugada de 15 de janeiro. De acordo com a esposa da vítima, o casal estava dormindo quando percebeu movimentação no pátio da propriedade, localizada na Estrada da Cascata. Marcos teria saído para verificar e, em seguida, ela ouviu gritos e disparos. O homem morreu no local.
A Polícia Civil confirmou que se tratava de uma ação da Brigada Militar e que os agentes estavam em busca de uma quadrilha da região. O comandante-geral da Brigada Militar (BM) à época, Cláudio Feoli, admitiu que houve um “grande equívoco” na ação.
Ele explicou o contexto preliminar que levou à ação na propriedade rural. Segundo Feoli, dois membros do grupo criminoso que era buscado em Pelotas foram presos no Paraná e deram pistas sobre a localização dos outros suspeitos.
Fonte: G1


















