Após críticas, Zucco garante que fusão de secretarias não reduzirá apoio à agricultura familiar no RS

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Foto: Reprodução

O governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), manifestou-se nesta sexta-feira (30) sobre as críticas à decisão de unificar as secretarias estaduais da Agricultura e do Desenvolvimento Rural. Em nota, Zucco garantiu que a reorganização administrativa não provocará redução nas políticas públicas nem nos investimentos de apoio à agricultura familiar gaúcha. A manifestação ocorre após entidades representativas do setor questionarem os possíveis impactos da medida.

A proposta faz parte da reestruturação administrativa planejada para o governo que terá início em janeiro de 2027. Segundo Zucco, a integração das pastas busca tornar a gestão pública mais eficiente, reduzir estruturas administrativas e adequar o funcionamento do Estado à realidade financeira do Rio Grande do Sul.

A futura Secretaria da Agricultura ficará responsável por atender todos os segmentos da produção rural, incluindo grandes, médios e pequenos produtores. O comando da pasta será de Paulo Herrmann, ex-presidente da John Deere no Brasil, anunciado na terça-feira (27) como integrante do primeiro escalão do novo governo.

Apesar das justificativas apresentadas, a decisão provocou preocupação na Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS). A entidade defende a manutenção de uma secretaria exclusiva para a agricultura familiar, com orçamento próprio, equipe técnica especializada e autonomia para desenvolver políticas públicas destinadas aos pequenos produtores.

Em nota divulgada anteriormente, a federação destacou que a agricultura e a pecuária familiar representam aproximadamente R$ 47 bilhões anuais em Valor Bruto da Produção no Estado. A organização também ressaltou a importância do setor para a geração de empregos, produção de alimentos e desenvolvimento econômico dos municípios gaúchos.

O presidente da Fetag-RS, Eugênio Zanetti, demonstrou preocupação com a possibilidade de perda de representatividade da agricultura familiar dentro de uma estrutura administrativa mais ampla. Segundo ele, uma secretaria específica permite maior atenção às necessidades dos pequenos produtores, especialmente na definição de prioridades e na destinação de recursos.

Mesmo após o esclarecimento do governador eleito, a federação mantém o pedido para que a decisão seja reconsiderada. A entidade afirma estar aberta ao diálogo, mas considera fundamental preservar um espaço institucional próprio para a agricultura familiar.

Diante da repercussão, Zucco também assumiu o compromisso de promover reuniões com representantes do setor. A previsão é de que os encontros com as federações comecem a partir de 16 de novembro, com a participação do futuro secretário da Agricultura.

O objetivo, conforme a manifestação do governador eleito, será ouvir reivindicações, receber sugestões e construir conjuntamente as prioridades e ações da próxima administração estadual.

A discussão ocorre em meio ao processo de reorganização do governo gaúcho, que prevê a redução do número de secretarias e a integração de diferentes áreas da administração pública.

A principal preocupação das entidades rurais é garantir que a busca por eficiência administrativa não comprometa programas de assistência técnica, acesso ao crédito, incentivo à produção e outras políticas fundamentais para a permanência das famílias no campo.

Com a mudança prevista para 2027, o desafio do futuro governo será demonstrar, na prática, que a unificação das estruturas poderá ocorrer sem prejuízos à representatividade e ao atendimento das demandas da agricultura familiar.

Fonte: SB News 

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