Artemis II pousa no mar após missão histórica ao redor da Lua

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Foto: NASA

Astronautas enfrentaram calor extremo, apagão de comunicação e desaceleração brusca antes do splashdown no Pacífico; missão abre caminho para retorno humano à superfície lunar

A cápsula Orion, da missão Artemis II, pousou no Oceano Pacífico às 21h07 (de Brasília) desta sexta-feira (10), próximo à costa de San Diego, nos Estados Unidos, encerrando a primeira missão tripulada ao redor da Lua em mais de 50 anos.

A etapa final foi marcada por uma desaceleração extrema. Em poucos minutos, a nave reduziu sua velocidade de mais de 40 mil km/h para cerca de 32 km/h antes do impacto controlado no mar.

A maior parte dessa redução aconteceu durante a reentrada na atmosfera, quando o atrito com o ar funciona como um “freio natural” e gera temperaturas superiores a 2.700 °C ao redor do escudo térmico.

Após essa fase mais intensa, a cápsula iniciou a abertura dos paraquedas em etapas. Primeiro, os de estabilização ajudaram a controlar a trajetória. Em seguida, os três paraquedas principais entraram em ação, permitindo uma descida segura até o splashdown.

Com o pouso concluído, equipes de resgate da NASA e das forças armadas dos Estados Unidos iniciaram a operação para retirada dos astronautas.

A tripulação deve deixar a cápsula em até duas horas e será levada de helicóptero até o navio militar USS John P. Murtha, onde passará pelas primeiras avaliações médicas antes de seguir para o continente.

A Artemis II marca o retorno de voos tripulados ao entorno da Lua desde o programa Apollo, na década de 1970. Ao longo de cerca de dez dias, quatro astronautas —Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen— viajaram mais de 1,1 milhão de quilômetros, testando sistemas essenciais para as próximas etapas da exploração espacial.

O sucesso da missão abre caminho para a Artemis III, prevista para os próximos anos, que deve levar astronautas de volta à superfície lunar e inaugurar uma nova fase de presença humana fora da Terra.

⏱️ Passo a passo do retorno da Artemis II

Acompanhe os principais momentos da reentrada da cápsula Orion (horários de Brasília):

✅ 20h33 — Separação do módulo de serviço; escudo térmico fica exposto para a reentrada
✅ 20h37 — Queima de motores ajusta o ângulo de entrada na atmosfera
✅ 20h53 — Cápsula atinge 122 km de altitude; começa a reentrada e o apagão de comunicação (blackout)
✅ 21h03 — Abertura dos paraquedas de frenagem, a cerca de 6,7 km de altitude
✅ 21h04 — Abertura dos três paraquedas principais, a cerca de 1,8 km
✅ 21h07 — Splashdown no Oceano Pacífico, a cerca de 32 km/h
Equipes de resgate se aproximam da cápsula.
Tripulação deve ser retirada em até 2 horas.
Astronautas seguem de helicóptero para o navio USS John P. Murtha.
Depois, retornam ao Centro Espacial Johnson, no Texas.
Durante a descida, os astronautas enfrentaram forças de até quase quatro vezes a gravidade da Terra. Para tornar essa desaceleração suportável ao corpo humano, a cápsula entra na atmosfera em um ângulo muito específico, o que prolonga o tempo de descida e evita impactos ainda mais bruscos.

Após a frenagem inicial —responsável pela maior parte da perda de velocidade— a Orion segue para a fase final. A cerca de 6,7 km de altitude, são abertos os paraquedas de estabilização, que ajudam a controlar a trajetória e reduzir ainda mais a velocidade.

Pouco depois, por volta de 1,8 km, entraram em ação os três paraquedas principais, responsáveis por desacelerar a cápsula até cerca de 32 km/h. Foi nessa velocidade que a Orion tocou o Oceano Pacífico, em um procedimento conhecido como splashdown.

Após o pouso, a operação de resgate começou na sequência. Equipes da NASA e das forças armadas dos Estados Unidos se deslocaram até a cápsula, mas a retirada dos astronautas deve acontecer em até duas horas. Eles serão levados de helicóptero até o navio militar USS John P. Murtha, onde passam pelas primeiras avaliações médicas ainda no mar.

Na sequência, a tripulação retorna ao continente e embarca para o Centro Espacial Johnson, no Texas, onde continuará sendo monitorada por equipes médicas nos dias seguintes.

Gif mostra Artemis II — Foto: Nasa/Reprodução
Missão histórica e o que vem agora

A Artemis II marca o retorno de missões tripuladas ao entorno da Lua desde o programa Apollo, encerrado nos anos 1970. Ao longo de cerca de dez dias, quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen —percorreram mais de 1,1 milhão de quilômetros, na maior distância já viajada por humanos no espaço.

Diferentemente das missões Apollo, o objetivo não foi pousar na Lua, mas testar todos os sistemas necessários para futuras missões: a cápsula Orion, o foguete Space Launch System (SLS) e os protocolos de segurança para voos tripulados em espaço profundo.

A missão incluiu uma órbita ao redor da Lua e o retorno à Terra em alta velocidade —uma das manobras mais complexas da engenharia espacial. O sucesso dessa etapa é considerado fundamental para os próximos passos do programa.

Com os dados coletados, a NASA avança agora para a Artemis III, prevista para os próximos anos. A missão deve marcar o retorno de astronautas à superfície lunar —incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar na Lua— e abrir caminho para uma presença mais contínua no satélite natural.

A Lua é vista como um laboratório para futuras missões mais ambiciosas, como viagens a Marte. Por isso, a Artemis II não encerra apenas uma jornada histórica: ela inaugura uma nova fase da exploração espacial, com foco em permanência, tecnologia e expansão das fronteiras humanas no espaço.

Fonte: G1

 

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