Coluna de Isaac Carmo – A visita da felicidade

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Foto: Reprodução

A felicidade veio me visitar.

Quem acompanha minhas crônicas sabe da admiração que tenho pelo joão-de-barro, esse pequeno pássaro que se tornou símbolo de resistência, persistência e companheirismo.

Mesmo diante das maiores adversidades, quando sua casa é derrubada pelo vento ou pelo tempo, lá está ele novamente, recomeçando. Pacientemente, reconstrói seu palacete de barro, numa engenharia que somente Deus é capaz de explicar.

Sempre gostei de observar seus ninhos quando tinha a oportunidade. Hoje, porém, descobri que meu amigo resolveu construir sua casa em uma timbaúva, nos fundos da minha casa. Como sempre, sua morada exuberante, ao lado de sua companheira, passou a alegrar e embelezar ainda mais o meu quintal.

Falar do joão-de-barro parece simples. É apenas uma ave. Mas há uma simbologia profunda em sua existência. Ele constrói sua casa com o barro do próprio chão, com a terra de onde veio, com o barro de suas origens.
Essa imagem do joão-de-barro, de sua árvore e de seu ninho, ensina que a felicidade está nas coisas simples da vida. Está na terra que pisamos, nas nossas raízes, naquilo que muitas vezes passa despercebido, mas que é verdadeiramente essencial.

Meu amigo joão-de-barro, quantas alegrias você me proporciona! Hoje você embeleza meu quintal e torna minha vizinhança ainda mais bonita. Sua casa, firme entre os galhos, chama a atenção dos que estão a admirar, mas
tenho certeza de que, se um dia ela cair, você encontrará forças para levantar novamente o seu rancho, onde quer que decida viver. Mas jamais esquecerá sua origem, pois ela estará sempre presente no barro da sua terra.

Talvez essa seja a maior lição que você nos oferece: podemos recomeçar quantas vezes forem necessárias, desde que nunca nos afastemos de nossas raízes.

Isaac Carmo Cardozo é Tenente da Brigada Militar, Bacharel em Direito pela Unilassale/Canoas, Especialista em Gestão Pública pela UFSM/Santa Maria e Mestre em Políticas Públicas pela Unipampa/São Borja. Escreveu o livro: Monitoramento de Políticas Públicas de Segurança – O Programa de Resistência às drogas e a violência (Proerd) no Município de São Borja. Tradicionalista, é Coordenador da Invernada Especial do Centro Nativista Boitatá. Historiador e pesquisador e apaixonado pela cultura do Rio Grande do Sul.

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