Coluna de Isacc Carmo – Augusto Velmud: um legado de amor ao tradicionalismo

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Foto: JJ Betim

Como pesquisador e historiador da nossa cultura, não poderia deixar de escrever sobre a trajetória de um jovem de apenas 29 anos que construiu uma bela história dentro do tradicionalismo gaúcho.

Embora não tenha nenhum livro publicado ou disco gravado, Augusto Velmud escreveu sua história de uma maneira muito especial: por meio de seus ensinamentos, de sua dedicação e do amor que demonstrava pela cultura gaúcha. Era instrutor de diversas invernadas, inclusive da Invernada Especial do Centro Nativista Boitatá, e esteve sempre presente nas atividades culturais às quais se propôs a dedicar seu tempo e seu talento.

Ao seu lado, tinha sua companheira, Jessiara Casali, um de seus grandes pilares, com quem compartilhava essa missão de preservar, cultivar e propagar as nossas tradições. Juntos, contribuíram para manter viva a chama do tradicionalismo, transmitindo às novas gerações os valores, os costumes e os ensinamentos que fazem parte da nossa identidade cultural.

Infelizmente, Augusto nos deixou cedo demais. Mas seu amor pelo tradicionalismo era tão grande que até sua despedida se transformou em uma demonstração da importância que ele tinha para essa grande família. Velado no Centro Nativista Boitata, entidade onde tantas vezes esteve presente para ensaiar, ministrar aulas e ensinar a arte da dança, reuniu amigos, familiares, tradicionalistas e simpatizantes, que lotaram o espaço para prestar suas últimas homenagens. Aquele cenário revelou, de maneira incontestável, o quanto Augusto era querido e respeitado.

Como pesquisador, tenho procurado resgatar a trajetória de personalidades que contribuíram para que hoje pudéssemos desfrutar de uma cultura tão forte e expressiva. São pessoas que, muitas vezes, não ocupam as páginas dos livros ou os grandes espaços da mídia, mas que dedicaram suas vidas à preservação e à difusão dos nossos costumes. Por isso, também considero um compromisso registrar o nome daqueles que, por meio de suas ações, ajudaram a perpetuar os ensinamentos da tradição gaúcha.

Augusto era uma dessas personalidades. Gostava de um tiro de laço, apreciava o futebol e era uma pessoa integrada à sociedade. Entretanto, foi no tradicionalismo que encontrou um dos principais espaços para expressar sua paixão e deixar sua marca.

Entre as muitas lembranças que ficam, destaca-se a imagem de um jovem alegre, brincalhão, que gostava de pregar peças, fazer piadas e arrancar sorrisos das pessoas ao seu redor. Para ele, parecia não existir tempo ruim. Tinha o dom de tornar os ambientes mais leves e de transformar os momentos compartilhados em boas recordações.

E foi justamente ao observar, a certa distância, a despedida desse jovem tradicionalista que compreendi ainda mais a dimensão de sua trajetória. Aquele mesmo Augusto, que tantas vezes fez os outros rirem com suas brincadeiras, conseguiu, mesmo depois de partir, reunir uma multidão de gaúchos profundamente emocionados, muitos chorando como crianças dentro de uma entidade tradicionalista — um lugar onde nos reunimos para cultivar nossas raízes, celebrar a nossa história e, acima de tudo, compartilhar a alegria de sermos parte dessa cultura.

Aquela cena me fez refletir sobre o verdadeiro significado de um legado. Nem sempre a importância de alguém é medida por títulos, publicações ou grandes feitos reconhecidos publicamente. Às vezes, ela se revela na quantidade de pessoas que tocamos, nos ensinamentos que transmitimos e na saudade que deixamos.

Augusto Velmud foi um desses homens. Um jovem que compreendeu que o tradicionalismo não se sustenta apenas nos grandes eventos, nos discursos ou nas apresentações. Ele também se fortalece por meio daqueles que ensinam, orientam, incentivam e dedicam parte de suas vidas à formação de novos tradicionalistas.

Por isso, deixo aqui minha homenagem e meu reconhecimento a esse jovem que se tornou um dos pilares do tradicionalismo em nossa comunidade. Augusto cumpriu sua missão e transmitiu aquilo que sabia, contribuindo para que as novas gerações possam continuar cultivando os valores que tanto amava.

Sua passagem foi breve, mas seu legado permanecerá vivo em cada dança ensinada, em cada ensaio realizado, em cada sorriso compartilhado e em cada jovem que levar adiante os ensinamentos recebidos.

Augusto partiu cedo demais, mas deixou raízes profundas na terra que tanto amou. E, enquanto houver alguém disposto a ensinar, dançar, cantar e viver o tradicionalismo com a mesma paixão que ele demonstrava, sua história continuará sendo escrita.

Que Deus conforte o coração de Jessiara Casali, de seus familiares, de seus amigos e de toda a família tradicionalista do Centro Nativista Boitatá.

Descanse em paz, Augusto Velmud. A tua presença fará falta, mas o teu legado continuará vivo entre nós.

Isaac Carmo Cardozo é Tenente da Brigada Militar, Bacharel em Direito pela Unilassale/Canoas, Especialista em Gestão Pública pela UFSM/Santa Maria e Mestre em Políticas Públicas pela Unipampa/São Borja. Escreveu o livro: Monitoramento de Políticas Públicas de Segurança – O Programa de Resistência às drogas e a violência (Proerd) no Município de São Borja. Tradicionalista, é Coordenador da Invernada Especial do Centro Nativista Boitatá. Historiador e pesquisador e apaixonado pela cultura do Rio Grande do Sul

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