Com a rejeição ao nome de Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), a oposição, de maioria bolsonarista, articula com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para barrar eventuais outras indicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao posto até as eleições.
Senadores afirmaram que pediram a Alcolumbre que segure as indicações pelos próximos seis meses. Eles acreditam que, independentemente da decisão de Lula, o próximo nome precisará ser pactuado com o Senado, sob o risco de ter o mesmo destino de Messias.
Alguns parlamentares veem hoje o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) como o único nome com consenso dentro do Senado para ser aprovado, por já ter o aval de Alcolumbre. O senador migrou no mês passado do PSD para o PSB para se lançar pré-candidato ao governo de Minas Gerais com apoio de Lula.
— Acho que o Pacheco teria evitado muitas resistências que tiveram agora nessa votação. Vamos avaliar que nomes serão enviados, mas ficou claro que o processo eleitoral vai contaminar qualquer debate nesse sentido. Dificilmente haverá análise de um novo nome antes da eleição, a não ser o nome do Pacheco — diz o senador Efraim Filho (PL-PB).
O desejo da oposição já vinha sendo exposto ao longo da sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) mais cedo. Alguns senadores manifestaram o desejo que a indicação fosse votada somente depois de definido quem vai governar o país a partir de 2027.
Os senadores Márcio Bittar (PL-AC) e Marcos Rogério (PL-RO) foram dois deles. Se o correligionário Flávio Bolsonaro vencer a eleição em outubro, a escolha seria dele, por exemplo.
— Esse não seria o momento adequado para fazer essa sabatina e essa votação. Daqui a pouco vêm as eleições gerais, e o brasileiro irá às urnas para definir o rumo político do país. Então o melhor seria não votar a indicação até que o povo decida o rumo que ele quer para o Brasil — declarou Rogério na sabatina.
Digitais de Davi

A derrota de Messias tem as digitais do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), contrariado pelo fato de Lula ter dispensado sua indicação para a vaga. Alcolumbre queria o aliado e ex-presidente da Casa, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para o posto.
O presidente do Senado vinha se recusando a receber Messias para conversar. Bolsonaristas dizem que Alcolumbre trabalhou até o final para conseguir votos contra Messias.
A derrubada da indicação estava no radar, mas o placar surpreendeu os petistas, que afirmavam confiantes minutos antes contar com até 48 votos. Messias precisava de 41 dos 81 votos. Com 34 votos a favor e 42 contra, o Senado rejeitou na noite da quarta-feira (29), o advogado-geral da União do governo Lula para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso no STF. Isso não acontecia havia 132 anos, desde 1894, e representa uma crise de grandes proporções ao Palácio do Planalto.
Crise no governo
O resultado desta quarta-feira significou uma derrota descrita como “acachapante” pelos senadores – e uma traição inesperada para Messias. Isso porque seus aliados diziam que ele recebeu apoio expresso de 36 senadores, fora os independentes que ele esperava arrebatar na votação secreta, chegando a cerca de 45 votos.
A oposição bolsonarista comemorou a votação e passou uma série de recados ao governo federal nas declarações à imprensa após o fim da sessão.
— O Senado deu recado claro de que não vai aceitar a interferência de outros poderes, independente da pessoa que teve seu nome rejeitado— disse o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
Messias acompanhou a votação junto da esposa e de membros do governo e do PT no gabinete da liderança do governo no Senado, e falou com a imprensa em seguida. Ele admitiu que “não é fácil passar pela reprovação”.
— Passei cinco meses de desconstrução da minha imagem (…) mas creio que muita coisa boa acontecerá na minha vida — disse o ministro da AGU. Ele não apontou responsáveis pelo resultado da votação, mas disse: “Sabemos quem fez isso”.
Fonte: GZH


















