Eleições de meio de mandato nos EUA podem limitar governo Trump e impactar relações com o Brasil

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Foto: BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms, ocorrem nesta terça-feira (3) e representam um momento decisivo para o governo de Donald Trump. A votação vai definir a composição de parte do Congresso norte-americano, além de servir como indicador da aprovação do presidente e antecipar possíveis cenários para a disputa presidencial de 2028.

O resultado também poderá influenciar diretamente a capacidade de Trump de governar nos próximos dois anos, além de produzir reflexos na política externa dos Estados Unidos, incluindo as relações diplomáticas e comerciais com o Brasil.

Neste pleito, serão renovadas todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço das 100 vagas do Senado. Também haverá eleições para governadores em alguns estados e outros cargos regionais. Atualmente, o Partido Republicano, de Trump, possui maioria nas duas Casas do Congresso.

Na Câmara dos Representantes, os republicanos ocupam 218 cadeiras, enquanto os democratas têm 214. Há ainda um parlamentar independente e duas vagas desocupadas. No Senado, a composição atual é de 53 republicanos, 45 democratas e dois independentes alinhados à oposição.

Das 35 cadeiras em disputa no Senado, 22 são ocupadas atualmente por republicanos e 13 por democratas. Para conquistar a maioria, os democratas precisam alcançar pelo menos 51 assentos, considerando que o voto de desempate cabe ao vice-presidente JD Vance, que também preside a Casa.

Segundo o professor de Relações Internacionais da ESPM-SP, Roberto Uebel, as eleições representam um importante indicador da avaliação popular sobre o governo e podem antecipar tendências para a próxima disputa presidencial.

Caso os democratas conquistem a maioria em uma ou nas duas Casas, Trump poderá enfrentar dificuldades para aprovar projetos e implementar medidas importantes durante a segunda metade de seu mandato. A mudança na composição do Congresso também poderá ampliar a fiscalização e a abertura de investigações sobre ações do governo.

Resultado pode influenciar relação entre Estados Unidos e Brasil

As eleições também podem trazer consequências para a relação entre Washington e Brasília. O resultado poderá influenciar tanto as negociações comerciais quanto o posicionamento político do governo norte-americano em relação ao Brasil.

O professor e pesquisador de Relações Internacionais Ricardo Leães avalia que Trump mantém vínculos políticos com a família Bolsonaro e que esse alinhamento pode interferir na condução das relações diplomáticas entre os dois países.

Na avaliação do especialista, após as eleições de meio de mandato, o presidente norte-americano poderá buscar uma aproximação institucional com o governo brasileiro, especialmente diante da importância estratégica do Brasil para os Estados Unidos.

Já o professor de Relações Internacionais da UniRitter, João Gabriel Burmann, aponta que questões políticas envolvendo representantes brasileiros também podem ser utilizadas como instrumento de negociação comercial. Nesse cenário, eventuais mudanças no controle do Congresso poderiam limitar a margem de atuação de Trump.

Caso os democratas assumam o comando de comissões estratégicas, como as de finanças e relações exteriores, o presidente poderá encontrar mais obstáculos para conduzir negociações envolvendo tarifas e outros interesses econômicos.

Derrota pode mudar prioridades da política externa

No cenário internacional, uma eventual derrota republicana também poderá levar Trump a concentrar mais esforços em questões internas dos Estados Unidos.

De acordo com Roberto Uebel, temas como a guerra na Ucrânia e o conflito com o Irã já provocaram questionamentos dentro do país. Uma perda de espaço no Congresso poderia reforçar a necessidade de o presidente priorizar pautas com maior impacto na vida da população, como o custo de vida e a inflação.

A elevação dos preços dos combustíveis, alimentos e outros produtos básicos tem pressionado os consumidores norte-americanos. Os conflitos internacionais e as políticas tarifárias adotadas pelo governo estão entre os fatores associados a esse cenário econômico.

O professor avalia que recuperar a imagem do governo republicano será fundamental para Trump, especialmente diante da necessidade de fortalecer um possível sucessor para as eleições presidenciais de 2028.

Entre os nomes que podem surgir nesse cenário estão o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio.

Para Ricardo Leães, uma eventual perda de maioria no Congresso também poderá dificultar novas iniciativas internacionais do presidente. Embora Trump possa continuar buscando protagonismo em conflitos e disputas geopolíticas, a oposição parlamentar poderá reduzir sua margem de atuação.

Assim, além de medir a força política de Donald Trump diante do eleitorado norte-americano, as eleições desta terça-feira poderão definir os limites de seu governo até 2028 e influenciar decisões com repercussão em diferentes partes do mundo, incluindo o Brasil.
Fonte: SB News | Com informações do GZH 

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