Entre a Memória e o Caminho

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Foto: SB News - Kaique Santos

A manhã amanhece em silêncio na Praça XV de Novembro. O céu, carregado de nuvens, parece segurar a chuva como quem guarda uma lembrança pesada, ainda não pronta para cair.

No centro do caminho, o Mausoléu de Getúlio Vargas se impõe não pelo tamanho, mas pelo que carrega. Ali está a história de Getúlio Vargas, suas palavras finais eternizadas e a marca vermelha que insiste em lembrar que o poder também sangra.

E então, quase como um contraponto ao peso da história, um casal de idosos atravessa a cena.

Eles caminham devagar, lado a lado, como quem já entendeu que o tempo não se vence, se acompanha. O guarda-chuva fechado na mão dele não protege da chuva que ainda não caiu, mas talvez represente todas as tempestades que eles já enfrentaram juntos.

Não há pressa. Não há espetáculo. Só continuidade.

Enquanto o mausoléu fala de um fim inesperado, eles contam outra versão do tempo, a da permanência. A da vida que segue, mesmo depois dos capítulos mais intensos da história.

Naquele instante, a cidade se revela em duas camadas. Uma que ficou gravada na pedra e na memória coletiva. Outra que insiste em caminhar, tranquila, pelas calçadas úmidas.

E talvez seja isso que mais define o lugar, não apenas o passado que marcou o Brasil, mas as pessoas que, todos os dias, seguem escrevendo a própria história ali, em passos lentos, sob um céu nublado, onde o ontem e o agora dividem o mesmo caminho.

Escrito por Kaique Santos 

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