A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga 63 processos judiciais envolvendo a obtenção de medicamentos para pacientes com câncer na Fronteira Oeste. A apuração faz parte da Operação Placebo, que investiga um suposto esquema de fornecimento de remédios falsificados, pagos com recursos públicos, além de suspeitas de superfaturamento e fraudes. Entre os casos analisados está o de uma paciente de São Gabriel que morreu aos 57 anos após enfrentar um câncer de pulmão.
Maria Jupira conseguiu, por meio da Justiça, acesso ao tratamento que não estava disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme relato da família, depois que um medicamento foi apreendido, ela teria ficado cerca de dois meses sem receber o tratamento adequado. Nesse período, o quadro de saúde piorou e ela passou a sofrer com fortes dores e inchaço em uma das pernas. Maria chegou a receber outras medicações, mas morreu aos 57 anos. A família não sabe afirmar se ela chegou a utilizar algum dos medicamentos suspeitos antes da descoberta das embalagens adulteradas.
Outro caso investigado envolve Mara Rodrigues, de Santana do Livramento. Ela já havia passado por tratamento contra um câncer, mas a doença retornou de forma agressiva, com metástases ósseas. Segundo a paciente, foi indicado um medicamento importado, obtido posteriormente por decisão judicial. Mara relatou que o tratamento não apresentou o resultado esperado. Atualmente, ela enfrenta dores intensas e utiliza morfina a cada seis horas.
A investigação começou depois que uma funcionária da Santa Casa de Caridade de São Gabriel desconfiou da embalagem de um medicamento utilizado no tratamento oncológico e acionou a polícia. O laboratório responsável confirmou que um frasco do Enhertu analisado pertencia a um lote falsificado. Conforme o delegado Daniel Severo, responsável pelo inquérito, foram identificadas diferenças na embalagem, problemas de coloração e erros de grafia, entre outros indícios.
Segundo a Polícia Civil, todos os tratamentos relacionados aos 63 processos analisados foram prescritos pelo médico Fernando Borges da Silva. Desse total, 40 ações foram conduzidas pelos advogados Éverson Dornelles de Dornelles e Esther Cowan Kotula, enquanto outras 23 tiveram atuação da advogada Rita Gabriela Schweickardt Werner. Por decisão judicial, o médico e os três advogados tiveram o exercício profissional suspenso. As defesas negam irregularidades.
A suspeita dos investigadores é de que pacientes recebiam prescrições de medicamentos não fornecidos pelo SUS e recorriam à Justiça para que o poder público custeasse os tratamentos. Nos processos eram apresentados orçamentos de empresas que, conforme a investigação, teriam ligações diretas ou indiretas com o empresário Lisandro Henriques Hermes. A polícia apura possível direcionamento das compras e superfaturamento dos valores.
No fim de junho, a Operação Placebo cumpriu 56 mandados de busca e apreensão. Lisandro Hermes, apontado pela investigação como suspeito de ser um dos principais articuladores do esquema, foi preso preventivamente. Na residência dele, foram encontradas diversas caixas de medicamentos. A Polícia Civil segue analisando os processos e apurando quantos pacientes efetivamente receberam ou utilizaram produtos falsificados ou de procedência irregular.
Fonte: SB News |Informações do G1


















