O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou nesta segunda-feira o policial militar Cristiano Domingues Francisco por matar a ex-esposa, Silvana Germann de Aguiar, e os pais dela, Isail e Dalmira Aguiar, entre os dias 24 e 25 de janeiro, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana. A companheira dele, Milena Ruppenthal Domingues, também foi denunciada por participação nas mortes.
O irmão do PM, Wagner Domingues Francisco, foi acusado de ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa. Todos os denunciados negam as acusações.
A acusação contra Cristiano Domingues abrange dois feminicídios (Silvana e Dalmira) e homicídio (Isail), ocultação de cadáver, abandono de incapaz, falsidade ideológica, furto, fraude processual, e associação criminosa. Milena, igualmente denunciada por quase todos esses crimes, à exceção de abandono de incapaz e falsidade ideológica, ainda responde por falso testemunho.
Não foram denunciados Paulo da Silva, Ivone Ruppenthal e Maria Rosane Domingues Francisco, respectivamente amigo e mães de Milena e Cristiano. Segundo o MPRS, apesar dos indiciamentos na Polícia Civil, as mães não foram acusadas de associação criminosa, pois houve arquivamento parcial do crime. Não é descartada a possibilidade de acusá-las por fraude processual, mas com oferecimento de Acordo de Não Persecução Penal.
Em relação a Paulo, amigo do casal, o MPRS entendeu por arquivar os indiciamentos por fraude processual e associação criminosa, apontando que não havia elementos suficientes para tais acusações. Já sobre a suspeita de falso testemunho, foi determinada a extração de autos em separado, visando análise específica desse delito.
Ao denunciar Milena por atuação direta nas mortes, o MPRS divergiu do inquérito policial. Para o promotor Caio Isola de Aro, à frente da denúncia, ela teria buscado o enteado de nove anos, filho de Cristiano e Silvana, para que a mulher pudesse ser morta, além de ter utilizado a voz da vítima em áudios de inteligência artificial enviados aos pais dela, na intenção de atraí-los a uma emboscada.
“Milena não participou do ato material de matar os três vitimados, mas teve contribuição imprescindível. Ela se aproveitou de um encontro já marcado com amigos e retirou a criança da companhia da mãe, permitindo que Cristiano ficasse livre para exercer crime. Fora isso, como técnica de informática, tem conhecimento de aplicativos e inteligência artificial. A função dela foi de fundo, mas importante para que as mortes se consumassem”, afirmou o promotor Caio Isola de Aro.
O que diz o advogado Jeverson Barcellos, que representa Cristiano Domingues Francisco
Jeverson Barcellos não comenta a ação. Entretanto, reafirma que seu cliente diz não ter qualquer envolvimento com o sumiço e morte da família Aguiar. O PM está preso preventivamente desde fevereiro no Batalhão de Polícia de Guarda (BPG), em Porto Alegre.
O que diz o advogado Ricardo Breier, que representa Wagner Domingues Francisco
A Defesa técnica de WAGNER DOMINGUES FRANCISCO vem a público manifestar-se acerca da coletiva de imprensa realizada na data de hoje, pelo Ministério Público, relativa ao caso da família Aguiar. Inicialmente, cumpre esclarecer que, desde a última manifestação, a situação da Defesa permanece inalterada, não tendo sido franqueado acesso à integralidade dos expedientes, tampouco ao volume de dados e elementos informativos mencionados pelo Ministério Público, apesar dos requerimentos já formulados ao juízo. Nesse contexto, as acusações até então divulgadas, tanto pela Polícia Civil quanto pelo Ministério Público, consistem em versões unilaterais, não submetidas ao contraditório e à ampla defesa, o que impõe cautela na formação de qualquer juízo conclusivo. Com o oferecimento da denúncia e o início da ação penal, WAGNER DOMINGUES FRANCISCO terá assegurado o exercício pleno de sua defesa, oportunidade em que poderá se manifestar de forma técnica, dentro do devido processo legal, e apresentar os esclarecimentos necessários acerca dos fatos.
O que diz Suelén Lautenschleger que representa Milena Ruppenthal Domingues e os outros indiciados:
A reportagem tenta contato com Suelén Lautenschleger. Leia a nota mais recente enviada por ela:
A defesa de Milena, Paulo, Maria Rosane e Ivone informa que, ao longo do regular trâmite processual, será devidamente demonstrada — com a garantia do contraditório e da ampla defesa — a inocência dos envolvidos, bem como a fragilidade dos indícios apresentados no inquérito policial.
Ressalta-se, ainda, que serão levadas ao conhecimento do Poder Judiciário as irregularidades ocorridas durante a investigação, somadas a eventuais abusos praticados, os quais serão oportunamente apurados pelos meios legais cabíveis.
A defesa reitera sua confiança na Justiça e no devido processo legal, certos de que os fatos serão esclarecidos de forma técnica e fundamentada.
Declaram-se absolutamente inocentes das acusações
Fonte: Correio do povo


















