Por: Ricardo Fitz Pereira
Feliz dia dos Namorados! O termo ‘redflag’ ou bandeira vermelha muito popular entre as gerações mais novas, significa ‘Perigo Iminente’ no âmbito dos relacionamentos amorosos. A expressão primeiramente ficou conhecida através da psicologia e depois popular nas redes sociais para descrever sinais de alerta sobre comportamentos.
O seguinte relato consiste em que uma pessoa ‘jogou’ na I.A (Inteligência Artificial) o ‘print’ (foto) de um perfil de alguém do ‘Tinder’ (aplicativo de relacionamentos) para que a I.A analisasse e apresentasse um entendimento. O perfil apresentava a sua autodefinição (comum nas redes sociais) com base em três divindades (seres espirituais). O que nos interessa aqui são as definições que a I.A decodificou do perfil apresentado. Dentre elas destacam-se: “Estrutura da Personalidade baseada em impetuosidade, agressividade reativa, intolerância a restrições”; seguido de; “Capacidade de Manipulação Psicológica Sutil”; complementada com; “Pragmatismo Brutal”; indicando; “perfil psicológico de alta volatilidade”; com; “reivindicação de comportamento extremo”; associado a; “confronto bélico direto”; composto de; “dissimulação estratégica”; evidenciando; “rejeição a normas sociais”; e concluindo; “o texto afirma categoricamente que a soma destes arquétipos define a totalidade da sua conduta”.
É preciso lembrar que no Brasil “O Amor Venceu” e, que estamos no governo do amor! Recentemente o governo dos EUA classificaram o ‘CV’ e o ‘PCC’ como organizações terroristas. O cargo máximo do poder executivo do NOSSO país o senhor Luís da Silva afirmou em uma declaração que: “estou muito triste hoje… que os nossos criminosos aqui são terroristas…”. O que é um criminoso se não um fora da Lei? O que é um fora da lei se não alguém fora do Estado? O ‘Banimento’ era um tipo de pena aplicada em sociedades primitivas, arcaicas que consistia em expulsar os criminosos de um território. No Estado pós-moderno podemos até considerar o seguinte: ‘os nossos apenados’ mas deveríamos considerar ‘os nossos criminosos’?
Aquele ditado popular nunca fez tanto sentido; “no amor e na guerra vale tudo”. Na guerra política partidária, na guerra das facções e na guerra nos relacionamentos, está última que me preocupa no consultório. Parece que algumas pessoas já se projetam de forma violenta em relacionamentos (ditos) amorosos. Aqui não há pretensão em tornar o amor, e sobre tudo o ‘Erotismo’ como algo bobo, infantilizado e ‘reativo’. Afinal de contas sou um leitor devoto de Bataille. No entanto, é exatamente esse caráter reativo de muitas pessoas que as tornam inimigas antes mesmo de se conhecerem.
A ‘Formação Reativa’ é: “atitude ou hábito psicológico oposto a um desejo recalcado”, ou seja, dá para dizer que; muitas pessoas não querem entrar em um relacionamento para amar e erotizar sexualmente sobre tudo esse último, elas entram para matar mesmo! Seguindo: “Do ponto de vista clínico, as formações reativas assumem um valor sintomático… a um resultado oposto ao que é conscientemente visado” (Laplanche & Pontalis). Portanto preciso de alguém para odiar e assim eu poder me amar ainda mais.
Relações amorosas cada vez mais definidas por aquilo que chamo de ‘Inimigo-Íntimo’, relacionamentos em vívidos delírios de grandeza onde superar algum ‘ex’ tornou-se valor compartilhado de adoecimento. Livrar-se de um vínculo dito ‘tóxico’ mas que nós mesmos ajudamos a construir tornou-se sinalização de virtude. Chegar em um grupo de amigos ou amigas e dizer que superou alguém é gozar com os aplausos da plateia que acha que você está melhor sozinho: “você fez o certo! Era muito tóxico o que vocês viviam!”. Quando escolhemos quem “amar” escolhemos sozinhos, mas quando isso se torna tóxico ‘choramos’ ao Estado por intervenção.
No fim do dia nos vendemos violentos e potentes durante a conquista amorosa para depois sermos injustiçados com o que o outro nos vendeu como violento e reativo em seus encantos de sedução. Superar aquele que sempre foi meu inimigo secreto é a ordem. Minha opinião é de que as tais ‘redflags’, alertando as pobres almas desavisadas dos perigos do amor, as tais Bandeiras Vermelhas não servem mais!
Se o ‘síndico’ desse condomínio chamado Brasil admitiu seus criminosos entre nós, quem somos nós para não admitirmos que amamos um criminoso?
@fitz_psicanalista


















