Pedro Ortaça: O Último Tronco Missioneiro

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Foto: Reprodução

O último dos troncos missioneiros se foi. Faleceu Pedro Ortaça, uma das maiores referências da música missioneira. Cumpriu sua missão e despediu-se justamente em meio às comemorações dos 400 anos das Missões — terra que carregava no peito e defendia com galhardia, exaltando a herança daqueles que por aqui passaram, a memória dos povos indígenas, suas dores, nostalgias e legados.

Hoje, Pedro Ortaça cobre o Rio Grande do Sul de luto com sua partida. Porém, seu legado jamais será esquecido. As futuras gerações ainda ouvirão sua voz e conhecerão sua história através de suas canções, que eternizaram este chão missioneiro.

No ano de 2019, este renomado cantor esteve em São Borja, terra com a qual mantinha laços muito estreitos, também por ser a terra de sua esposa, onde costumava participar de festivais e encontros culturais. São Borja, terra cantada em versos, berço de grandes nomes da cultura regional, como o inesquecível acordeonista Dedé Cunha, sargento da Brigada Militar, que muito se orgulhava das canções missioneiras e é parte deste legado, pois é dele muitas musicas cantadas por Pedro Ortaça, fazendo parte do seu grupo musical.

Pedro Ortaça também era detentor do título de Cidadão São-Borjense, honraria concedida pelo vereador Carmelito Lunardi Amaral. Em 2019, esteve acompanhado do grande artista da cultura popular brasileira Antônio Ribeiro da Conceição, mais conhecido como Bule Bule. Ambos participaram de um evento realizado na Praça XV de Novembro, marcado por apresentações de danças folclóricas, músicas regionais e exibições de gaita, celebrando a cultura popular e missioneira.

À frente da organização daquele singelo, mas significativo encontro cultural, estavam Israel Lopes e o saudoso Ramão Aguilhar, que reuniram artistas locais, fandangueiros e admiradores da tradição para recepcionar Pedro Ortaça e Bule Bule em um momento histórico para a cultura são-borjense.

Fatos como esses reforçam a importância de preservar o legado daqueles que dedicaram suas vidas à cultura e à identidade do nosso povo. Nosso maior objetivo deve ser deixar às futuras gerações o amor pelas raízes, pela tradição e pela história deste chão missioneiro.

O amor de Pedro Ortaça por suas origens, sua dedicação à cultura e sua incansável defesa das Missões permanecem vivos em sua obra. Seu legado é infinitamente cultural e seguirá ecoando pelos campos, galpões e festivais do Rio Grande do Sul.

As Missões ainda vivem. Sobrevivem através das pessoas que fazem de suas vidas um verdadeiro ato de amor por esta terra colorada e missioneira.

Obrigado, Pedro Ortaça, pelo seu legado. Obrigado pelo amor a este torrão. Obrigado por carregar a cruz missioneira e cantar a história e a alma do nosso povo.

tiveram o privilégio de vivê-lo.

Isaac Carmo Cardozo é Tenente da Brigada Militar, Bacharel em Direito pela Unilassale/Canoas, Especialista em Gestão Pública pela UFSM/Santa Maria e Mestre em Políticas Públicas pela Unipampa/São Borja. Escreveu o livro: Monitoramento de Políticas Públicas de Segurança – O Programa de Resistência às drogas e a violência (Proerd) no Município de São Borja. Tradicionalista, é Coordenador da Invernada Especial do Centro Nativista Boitatá. Historiador e pesquisador e apaixonado pela cultura do Rio Grande do Sul.

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