Aluno de São Borja conquista terceiro lugar no Prêmio de Poesia Luiza Romero Fortes

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Foto: Reprodução

Gabriel Gomes Goulart, de 17 anos, é estudante do 2º ano do CESB e ficou entre os destaques da premiação realizada neste sábado (12), em São Miguel das Missões

Foto: Reprodução

São Borja esteve representada na 2ª edição do Prêmio de Poesia Luiza Romero Fortes, cuja cerimônia foi realizada neste sábado (12), em São Miguel das Missões. Entre os destaques da premiação está o estudante Gabriel Gomes Goulart, de 17 anos, aluno do 2º ano do CESB, que conquistou o 3º lugar na competição.

O resultado colocou o jovem estudante são-borjense entre os principais destaques desta edição do prêmio, que reuniu trabalhos de estudantes e valorizou a produção poética e o talento de jovens escritores.

A cerimônia ocorreu no Tenondé Park Hotel, em São Miguel das Missões, reunindo os estudantes que tiveram seus poemas selecionados e participaram da premiação.

Gabriel representou São Borja e o CESB durante o evento, levando para a cerimônia o trabalho que lhe garantiu a terceira colocação. A conquista também representa um reconhecimento à produção literária desenvolvida pelos estudantes do município.

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Além do aluno do CESB, São Borja também contou com a participação de um estudante do Colégio Estadual Getúlio Vargas, que esteve entre os representantes do município na iniciativa.

Incentivo à produção literária

O Prêmio de Poesia Luiza Romero Fortes chega à sua segunda edição com o propósito de valorizar a poesia e incentivar jovens talentos. A iniciativa proporciona aos estudantes um espaço para apresentar suas produções e desenvolver a criatividade por meio da literatura.

A participação de estudantes de diferentes municípios também amplia o alcance do projeto e possibilita o encontro entre jovens que encontram na poesia uma forma de expressar sentimentos, pensamentos, experiências e diferentes percepções sobre a realidade.

Para Gabriel, a conquista do terceiro lugar representa um reconhecimento ao trabalho desenvolvido por meio da escrita e marca uma experiência importante ainda durante sua trajetória escolar.

Aos 17 anos, cursando o segundo ano do Ensino Médio no CESB, o estudante passa a integrar a relação de jovens que se destacaram nesta edição do prêmio, levando o nome de São Borja ao pódio da competição.

São Borja no pódio

A conquista de Gabriel também chama atenção para a participação dos estudantes de São Borja em iniciativas culturais realizadas na região. O terceiro lugar obtido pelo aluno do CESB evidencia o potencial da produção literária desenvolvida pelos jovens do município.

A presença de estudantes do CESB e do Colégio Estadual Getúlio Vargas na cerimônia reforça ainda a participação das escolas são-borjenses no projeto.

Realizado neste sábado (12), em São Miguel das Missões, o evento marcou o encerramento desta edição do Prêmio de Poesia Luiza Romero Fortes com a celebração dos trabalhos selecionados e o reconhecimento aos estudantes que se destacaram.

Entre eles, está Gabriel Gomes Goulart, de 17 anos, aluno do 2º ano do CESB, que conquistou o terceiro lugar, levando São Borja ao pódio de uma premiação dedicada à valorização da poesia e dos novos talentos da literatura.

*O menino de 9 anos*

Eu aprendi cedo
que silêncio também grita.
Que porta batendo forte
não é sempre vento.

Com 8, quase 9,
num churrasco de família,
na fazenda dos meus avós
onde o cheiro de carne na brasa
se misturava com riso de parente.

O sol ainda estava alto.
As cadeiras estavam cheias.
Meu primo corria no quintal
e eu segurava um copo de suco.

Eram 5.
Chegaram sem avisar.
O mundo virou barulho, grito e pressa.
Levaram eu e meu primo
no meio da bagunça boa.
Refém.
Palavra grande demais
pra boca pequena de criança.

Eu larguei o suco no chão.
Contei os segundos nas mãos suadas.
Contei as armas com os olhos baixos.
Contei pra mim mesmo
que se eu ficasse quieto,
talvez doesse menos.

Naquele dia o churrasco esfriou.
E eu cresci sem pedir.
Tive que me adaptar.
Tive que aprender a ler rosto,
a medir perigo no tom de voz,
a dormir com um olho aberto.

Tive que guardar o medo no bolso
e sorrir com os olhos vazios
pra não preocupar os mais velhos.

Depois disso,
a felicidade virou palavra estranha.
Virou coisa de comercial de TV.
Eu esqueci o gosto de rir de verdade,
daquele riso que nasce na barriga
no meio de um churrasco de domingo.

Hoje eu carrego esse menino dentro de mim.
Ele ainda olha pra porta
antes de entrar em qualquer lugar.
Ele ainda confunde paz com sorte.
Ele ainda trava quando sente cheiro de brasa
e muita gente junto.

E eu sigo aqui,
juntando caco de infância no chão,
tentando lembrar
como era correr descalço sem medo,
como era ser feliz
antes do mundo me ensinar
a sobreviver.

Se um dia eu achar esse menino de novo,
eu prometo pra ele:
a gente vai voltar pro churrasco.
E dessa vez ninguém vai estragar.

Fonte: SB News 

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