“Planejaram uma reconstituição que favorecia somente a versão dos policiais”, diz viúva de agricultor morto em ação da BM

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Foto: Reprodução / arquivo pessoal

Após a oficialização da suspensão da reconstituição simulada da ação que matou o agricultor Marcos Nörnberg nesta quarta-feira (13), a viúva dele, Raquel Nörnberg, criticou o formato adotado para a realização do trabalho. Em entrevista à reportagem, ela afirmou que o planejamento inicial da reprodução simulada “favorecia somente a versão dos policiais”.

— Na minha opinião, não são divergências. Eu acho que o planejamento que foi feito favorecia somente a versão dos policiais, não favorecia a minha versão — declarou.

A nova etapa da reconstituição, baseada na versão apresentada por Raquel, estava prevista para ocorrer durante a tarde desta quarta-feira e não à noite, como havia sido divulgado inicialmente. Já a reprodução conduzida a partir dos relatos dos policiais militares foi realizada durante a noite de terça-feira e avançou pela madrugada.

Para a viúva, a diferença nas condições de iluminação comprometeria a análise do caso e impediria que ela reproduzisse fielmente o que presenciou na madrugada da ação.

— Não teria como eu mostrar tudo o que vi naquela noite com luz do dia. A nossa parte ficaria prejudicada — afirmou.

Segundo Raquel, a iluminação altera diretamente a percepção sobre o que os policiais poderiam ou não enxergar dentro da residência no momento da abordagem.

— Eu vi algumas falas deles como se estivessem enxergando meu marido com uma arma dentro da casa. Isso era impossível — disse.

Diferenças nas versões

Raquel afirma que não participou da simulação baseada na versão dos brigadianos, mas conseguiu acompanhar parte dos trabalhos pela janela de uma residência ao lado da casa onde ocorreu a ação. Segundo ela, o que foi apresentado pelos policiais “é muito diferente da realidade”.

A viúva sustenta que a residência estava completamente escura no momento da abordagem, diferente do que teria sido apresentado durante a reprodução simulada.

— Eles alegam que tinha uma luz acesa, que tinha a TV ligada. Mas os próprios vídeos comprovam que era uma escuridão total — afirmou.

Ela também relata que o casal tinha o hábito de manter a casa sem iluminação externa ou interna durante a madrugada por questões de segurança, já que a propriedade fica às margens da BR-392.

— Quem mora no interior sabe que uma casa com janela de vidro e sem cortina jamais fica toda iluminada no meio da madrugada. A gente ficaria num aquário — relatou.

Primeira etapa da reprodução já foi concluída

A reprodução simulada da ação começou na noite de terça-feira (12), no sítio da família, no interior de Pelotas. Cerca de 30 servidores participaram da primeira etapa dos trabalhos, conduzida pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) com base na versão apresentada pelos policiais envolvidos na ocorrência.

A continuação da reprodução foi suspensa e deverá ser remarcada em nova data. O caso também é acompanhado pela Corregedoria da Brigada Militar e pelo Ministério Público Militar.

A Polícia Civil confirmou a suspensão dos trabalhos. O IGP ainda não se manifestou oficialmente sobre a decisão.

Fonte: GZH

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